gostar de rock



duas guitarras. uma bateria. blues explosion


do livreiro enquanto profissão que repousa entre a espada e a parede # 4

ouvir o cliente perguntar pelo processo civil de franz kafka. respirar fundo. aparentar normalidade.

rise, lazarus, rise

excelentes notícias. o canhoto ressuscitou.

espaço musical com dedicatória

há tempos a minha amiga shyz saiu-se com encómios ao uso que aqui o rapaz faz do caralho, vocábulo, deixando-me enrubescido de vaidade. nesta ocasião devolvo o cumprimento em forma de canção, interpretada pela óptima Orquestra Imperial, big band brasileira cheia de nervo. e não é preciso dizer onde.



sei que o joão bonifácio me vai partir a boca toda

© rabiscos vieira

mas tenho de confessar, misto envergonhado, misto descarado, misto de chinelos – sim eu escrevo as crónicas no conforto do lar de tipologia 1 – que não gosto mesmo nada do leonard cohen. minto, não lhe ligo é patavina, facto que, nas conversas de adolescentes e de alguns adultos [eu] costuma ser mais ofensivo. "que me odeies ainda vá, agora ignorares-me é que é sacanice do caralho". pois. ainda por cima o indivíduo é canadiano, terra de gente tão marcante como........................ adiante.
a presença do leonard, perdoe-se-me a familiariedade, só me caiu no goto em duas ocasiões: a abrilhantar a estupenda banda sonora dos natural born killers, aliás, L7, camionistas do panqueroque onde andam vocês, carinhas larocas, e um par de anos depois disso foi alvo de uma memorável 'cover' pelo pior nadador de crawl dos últimos anos, jeff buckley. coisa mais sofrida só quando o meu pai se despediu por solidariedade com outro colega em plenos anos de chumbo do mário soares primeiro-ministro mas isso são outros quinhentos. ou menos, se o caso em apreço envolver o leonard cohen. que me passa efectivamente ao lado, há que dizê-lo a partir do meu teclado preconceituoso e acreditem que este teclado já conviveu com muita javardice. sucede apenas que o cohen sempre me fez lembrar bailes da saudade, gente deprimida a todo o vapor à volta dos quarentas, serões com whiskey velho e mantas cachemira. e eu, que nunca passei da imperial e do polyester gosto é de malhas a rasgar. ou de pretos com batidas gordurosas e 657 palavras por minuto. ou de um fado do camané, vá. agora aquela voz de cama a bafejar no meu pescoço, abrenúncio. mais assustador só um wc de centro comercial. I'm your man? chiça.

texto publicado no blogue colectivo sinusite crónica

amores imperfeitos # 150

Sandro tece rasgadas loas à obra de platão, já Carina não passa sem o seu tales de minete.

ficcionando deixas do senhor max mosley em ambiente de orgia fetichista

então, fraulein, queres sentir na mão o peso do meu monolugar? ou preferes que to estacione na box?

mÚSICA & dESIGN


pagode de domingo à noite


a galinha da minha vizinha é sempre melhor do que a minha # não sei quantos

© rabiscos vieira

da escola à portuguesa, estreada no sítio do costume


irmaolucia, a cavar desprestígio desde a sua fundação

ui, o que eu detesto o bob dylan. ainda mais do que os filmes do 007.

esta rapaziada estraga-me com mimos

© rabisco vieira


porque até somos um país com clusters de excelência

Crimes sexuais triplicaram em Portugal entre 2002 e 2007

Público online, 05/04

amizades imperfeitas # 71

Sandro é fluente em inglês, francês e castelhano, Ruca é flatulento em todas as línguas e partes do mundo.

I have a bullet

há 40 anos calava-se um tipo que sabia o que dizia.

os sítios de sonho querem-se bem unidos, como irmãos

governo opta pela solução chelas-barreiro.

londres em baixa resolução # 5


daunt books, marylebone high street


suponho que estes deputados-bloggers nunca tenham tido problemas com telemóveis e professoras

© rabiscos vieira


diria até que andaram muito arredios da escola, tal é a qualidade de redacção:

a JS tem uma relação assim tão boa com o Governo e com o Partido Socialista, inclusivé Grupo Parlamentar, imaginamos que, por inerência, boa capacidade de influência!

A proporção que o incidente da escola carolina micaelis, como qualquer outra novidade, deixa sempre a sua onda.

uma dica da joana lopes, a partir de pérolas publicadas no câmara dos comuns

cá se vaiandando com a cabeça entre os couratos

© rabiscos vieira

a amizade, a solidão, a verdade, quase todos os temas que inquietam o ser humano têm passado pelo sinusite, com excepção do courato. esse mesmo, proveniente do porco, programado para embeiçar gente de compleição rija e queixo que se quer gorduroso e o que eu me pelo por isso. pois bem, o mercado do courato está mais retraído do que o do subprime americano, com a diferença de os porcos anónimos que o alimentam [ao do courato] não nos escavacarem o crédito à habitação e o maldito spread, mas isso são contas de outro rosário, aqui falo de orelhas. e carimbadas.

em tempos o courato foi glorioso, júlio césar nunca teve mais autoridade do que esta chicha dos deuses quando proclamava veni, vidi, vici, a orelha de porco reinava em vários palcos, à volta dos estádios, nas feiras, nos encontros sindicais, nos santos populares, no primeiro de maio, no lupanar coche real da venda nova. bom, fala-se de carnes e começo a tergiversar. ponha-se então o courato nos eixos da glória que já teve e que paulatinamente vai perdendo para outras iguarias de marca roulotte, rodeadas de frascos de molho, uma miséria, ao courato não era preciso juntar adornos, bastava-nos o carimbo roxo da qualidade atestada e o pêlo hirto, capaz de provocar um suave reco-reco no céu da boca.

pior, hoje o courato caiu do olimpo dos petiscos em favor de uma série de versões softporno como as agora afamadas tapas, degustadas em cima de pão tão artificial que só pode provocar o cancro, ou o dengue, vendidas em casas bem decoradas, cheias de tias e yuppies super modernos e amigos da cava, da caña e do caralho a quatro, que saltitam e bradam olê, olê olê, assim mesmo, com circunflexo, que o uso dos agudos condiz mais com o povoléu que não vem com salero de berço.

quanto a mim deploro a retracção da popularidade do courato, aquela sua composição tão portuguesa, mole e gordurosa a maior parte das vezes, eriçada em pêlo grosso quando lhe pisam os calos, ou mordem as pontas, arriscava até dizer que o courato podia ser um baluarte da civilização ocidental ameaçada pelos barbudos que insistem em rebentar-se nos transportes públicos dos outros, que eles nem sequer comem porco, nunca se lamberam com uma farinheira embrulhada nuns ovos mexidos, nunca rilharam com os dentes o osso de uma costeleta. o courato como charneira diferenciadora de uma civilização. pensem nisto.

eu vou fazê-lo, enquanto saio de casa em busca de uma metadona, de uma substituição, quem sabe uma bifana daquelas mergulhadas na frigideira atestada de molho, dizem até que foi duma dessas que o fleming extraiu as primeiras penicilinas.

texto publicado no blogue colectivo sinusite crónica

londres em baixa resolução # 4


black gull books, camden


he's not there

Ruca tem muitas amigas que gostam é do bob dildo.

cuidado casimiro, cuidado c'oas comparações


saía eu todo lampeiro da tate modern com a minha toniciganita, acabados de encher a pança com as provocações do trio man ray duchamp picabia, quando nos cruzamos com uma conterrânea que vai assegurando à amiga isto é uma espécie de ccb e eu, desperto de sopetão para uma nova perspectiva da realidade, chego à conclusão de que se se visse daqui os jerónimos ao invés da st paul's cathdral a coisa era tal e qual. mas sem os pastéis de belém. viva portugal.

londres em baixa resolução # 3


megacity comics, inverness street


londres em baixa resolução # 2


koenig books, charing cross


londres em baixa resolução # 1


da minha porta via-se o paraíso


a galinha da minha vizinha é sempre melhor do que a minha # não sei quantos

© rabiscos vieira

socialismo e meia-pensão, estreada no sítio do costume


a carolina michaëlis fica onde nós quisermos, nomeadamente ao canto da boca

também eu vou atirar uma posta de pescada sobre a polémica do vídeo na carolina michaëlis, mas já agora de pescada zero, que costuma designar aquela que se coze em água e sal para desesfaimar, palavra que acabo de inventar, o gato lá de casa, coitadinho. das minhas memórias do ensino secundário, e estas podem fornecer pistas sobre a situação patética que é a minha vida adulta, guardo com especial fervor as 'visitas de estudo' programadas pela professora de matemática, personagem a dar para o blasé, na versão amigável, totalmente tresloucada-chique, na versão maldosa, que muito gostava de laurear com os seus alunos sob a capa do interesse complementar ao plano de estudos. para tal pagava-se inscrição e alugava-se a camioneta, o motorista sempre o mesmo, os destinos mais ou menos variáveis, sempre rumo a norte, vila real, por exemplo, local onde conheci de perto as potencialidades dos garragões de vinho levados para o quarto da residencial, ou covilhã/serra da estrela, em que certa e determinada ressaca me fez perder a viagem de camioneta à zona da torre, razão pela qual fiz esse trajecto à boleia numa carrinha de caixa aberta em pleno janeiro, rodeado de laranjas, por forma a não perder as dinâmicas de grupo da turma durante o resto do dia. e o estudo incluído na vistia, claro. pois bem, numa dessas viagens de grande instrução acabei por receber de forma enviesada uma série de informação com que nunca sonhei, nomeadamente em termos estéticos, uma vez que, em determinada altura em que foi necessário bater à porta da professora para combinar algum plano das festas, a senhora aparece à ombreira da dita [porta] com o ar mais natural do mundo, secundada na penumbra pelo motorista do machibombo, sempre o mesmo, sempre fiável. presa ao colete de forças mental das equações de segundo grau, da fórmula resolvente ou dos casos notáveis a nossa interlocutora esqueceu-se de supervisionar ao espelho a figura com que iria aparecer aos seus instruendos de 16/17 anos, observadores implacáveis, e como tal ostentava um comprometedor pintelho ao canto da boca, enquanto perorava acerca do cumprimento dos horários das visitas, ou coisa que o valha. na altura telemóveis nem vê-los. youtube muito menos. poupou-se no enxovalho imediato, ganhou-se na hilariedade privada, liberta aos borbotões entre os nossos grupos de amigos ao longo de anos a fio. obrigado stora. obrigado sistema educativo. telemóveis nas aulas? isso é coisa para meninos.

texto publicado originalmente no blogue colectivo sinusite crónica

o incompreensível jaime gama e o caso madeirense

o peixe de águas profundas, como é conhecido pelas anabelas neves deste país, anda a elogiar o jardim. eu cá da madeira só tenho memórias arrepiantes por interpostas pessoas, nunca lá pus os cotos, aliás, o único país autoritário que visitei até hoje foi a tunísia, grande ben ali, o manitas de ferro, dizia, da madeira só resquícios de bizarria como um certo e determinado colega de escola que insistia em apelidar o sócrates de filhósofo, assim, com h e tudo, a fazer lembrar os doces de natal e eu só consigo achar que teria muito mais sainete a máxima só sei que nada frito. ou não.

a galinha da minha vizinha é sempre melhor do que a minha # não sei quantos

© rabiscos vieira

o contorcionista pacheco passeia o seu descaramento por bagdad, a escavacada, estreada no sítio do costume

o senhor porta-voz da conferência episcopal tem a tarefa facilitada

ao invés de queimarem os defensores da nova lei do divórcio podem sempre enfiá-los na bimby. sempre é mais lavadinho.

melómanos imperfeitos

Ruca, o homem que confunde a chavela vargas com a chavala vergas.