espaço PUB

© rabiscos vieira

a revista Os Meus Livros chega finalmente à blogosfera, esse mundo cão, ou doggy-style, se preferirem, há quem goste, enfim, a revista chegou e com tanto entusiasmo que até linkaram duplamente aqui o rapaz. calma, moços, eu não sou assim tão atraente, ou terá sido obra dos hackers que tiram o sono ao presidente europeu que mais gosta de bolo-rei?



acordo ortográfico

no ringue do meu bairro há uma equipa a jogar com o patrocínio "kixuto" nas camisolas.

efeito copycat

no domingo foram as bandeiras lgbt no Altis. hoje tenho um vizinho a ouvir pet shop boys.

do regresso às lides

esta tarde o livreiro que tem uma iogurteira e um gato que gosta de ser aspirado e uma estima especial por couratos voltará ao convívio com os senhores do anel de curso, da sociedade de advogados rl, dos sonhos molhados com códigos anotados. não é necessário haver islão ao barulho para assistirmos ao choque de civilizações.

gente que é mesmo, mesmo do ramo

© rabiscos vieira

o Guardian concebeu um dossiê sobre a shortlist do Booker 2009. e tem lá tudo: perfis, críticas, ensaios, testemunhos dos autores. quando for grande quero trabalhar como esta gente.



fitness

hoje acabam-se as férias e regressa-se ao shopping. é dia de reencontrar os colegas e o vitaminas e companhia.

é aproveitar. se fossem virgens é porque ninguém tinha achado que valessem a pena



um fim-de-semana atípico



entre sexta à noite e domingo ao entardecer votei, pus música num casamento ao largo de coimbra (não perguntem) e participei num dj-set a propósito do tal livro do bolaño, aquele que já vai estando na mira dos cínicos que não o leram mas que detestam unanimismos, leiam mas é o joyce, e o ovídio, e o caralho que os foda, a cantiga do costume. por falar em cantiga, o tremendo gozo que me deu passar os anarco-musicólogos mano negra nas colunas de um clube trendy de lisboa, ui que maravilha. e logo a cavalo do estupendo noche de accion. para a próxima mister bungle ou nada. e sim, voltei a votar num partido que não ganha eleições.

literatos imperfeitos

Ruca acha que se o Claudio Magris foi ao festival da segóvia é porque é daqueles que anda com a mão cheia de calos.

manchete do Público para amanhã

"sócrates escuta ferreira leite. esperem, foi ela que lhe ligou".

e já agora, o livro do Bolaño está tão em alta que até o Alegre sente necessidade de lhe copiar os conceitos

(...) Tinha estudado em Oxford durante um ano, e depois, incompreensivelmente para Espinoza e Pelletier, mudara para Londres, em cuja universidade terminou os estudos. Era de esquerda, de uma esquerda possível, e, segundo Norton, numa ou outra ocasião tinha falado com ela sobre os seus planos, que nunca se concretizavam numa acção definida (...)

2666, pág 91, ed. Quetzal

o lado musical de roberto bolaño ou da pertinência de um lembrete

© rabiscos vieira



não sou judeu, nem americano, nem funcionário público, já não tenho pai, não vou ao psiquiatra nem nunca esgalhei o pessegueiro num autocarro

mas diabos me levem se algum dia me senti tão identificado com um personagem literário como o Alexander do Complexo de Portnoy. Sérgio, Ana Cristina, Fallorca, comentadores anónimos, a razão estava toda do vosso lado.

espaço PUB

o blogue No Vazio da Onda está a fazer uma excelente compilação de começos de livros. conferir aqui.

Paris é, essencialmente, uma cidade onde as pessoas posam em frente a coisas

depois deste post ainda darei um ou outro lamiré sobre a viagem a paris da frança mas o essencial ficará plasmado aqui, nesta espécie de síntese que demonstra que o importante é posar, provar que se esteve lá, o que não se vê não existe, já dizia o filósofo, ou o dias loureiro, ou outra pessoa qualquer assim do género, do métier, e como tal o roteiro faz-se pelos nossos olhos postos nos olhos dos outros postos no, na modelo de ocasião. ora vejamos:



é truque baixo fazer uso dos turistas japoneses - há-os aos montes e em poses de toda a maneira e feitio - mas dificilmente será possível encontrar momento mais iconográfico do que um mocetão da terra do sol nascente a enquadrar uma compatriota com o arco do triunfo em fundo, aquele monumento que encabeça a gigantesca avenida dos champs elisées, uma espécie de avenida da liberdade mas em grande, também com obelisco ao fundo, se bem que o nosso não foi oferecido pelo egipto mas sim erigido em memória dos Restauradores da independência, que acabaram com o domínio dos filipes sobre a coroa portuguesa. Recentemente manuela ferreira leite terá negado qualquer envolvimento nas defenestrações ocorridas em 1640. Eu duvido, basta ouvir-lhe as declarações recentes e espreitar-lhe a certidão de nascimento.



A meio caminho dos ditos Champs passa-se pelo enquadramento do Hôtel National des Invalides, onde aqui e além também se posa. Curioso que no momento em apreço, lá ao fundo, mesmo em frente ao monumento, uma manada de jovens franceses jogava ao râguebi, aquele desporto que aqui há um par de anos fez sair da toca uma maré de admiradores em portugal, afinal milhões de portugueses até já o tinham jogado quando pequenos, a chuva de vídeos do youtube que se plantaram por esses blogues afora, sobretudo aquele com um barbudo francês em corrida desenfreada, mas entretanto a brincadeira do tomaz morais arrefeceu, saiu dos ecrãs e o regozijo foi-se, mas dizia, a manada lá do fundo jogava sem compromissos mas com a rijeza à mostra, o que tornava premonitória uma catástrofe abençoada por um local - Les Invalides - cujo nome diz tudo.



De destacar que o posador profissional não está preso apenas aos monumentos, a griffe de uma ou outra loja também é apetecível, olha eu tão lindo à beira de umas pontas embebidas em tinta permanente, para mais tarde recordar, segundos depois de a esposa, agora fotógrafa, ter encostado as omoplatas à fachada da Cartier.



Mas gostoso, gostoso, é dar o rabo às Tulherias e os peitos às esculturas defronte do gargantuesco Louvre, gostos não se discutem, poses muito menos,



há inclusive quem queira ombrear com a estatuária clássica mesmo que para isso se recorra aos favores de uma criança contrariada e a uma saia que qualquer social-democrata à portuguesa não desdenharia, aliás, dizem as más línguas que se o psd colocasse nas listas uma ou outra escultura de mármore pelo menos essa não andaria a brincar às malas como o Preto, retinto de suspeição e irrequieto como um irredutível gaulês;



já no que toca a best-sellers da pose os nossos irmãos de osaka, kyoto ou tóquio levam sempre a palma, veja-se o clássico "humano com mona em fundo", eu por mim escrevia uma sequela de certo e determinado campeão de vendas, agora intitulada O Código Hokusai, ou coisa que o valha.





Já no período da noite há quem pose em ademanes de toureiro, olé pirâmide, olé miterrand, ou mesmo em grupo, em família, com a torre em fundo, torre essa que se vê de todo o lado, parece o ego do Jorge Jesus mas com menos metal na voz.



Naturalmente há outros locais onde o posa-fotografa-troca-a-máquina-de-mãos tem ascendente, como por exemplo as cercanias de Notre Dame, minadinhas de amigos do alheio, nomeadamente carteiras, aliás, ainda suspeitei que este marmanjo que vos posa pudesse estar a gamar a mala à própria mulher, ele há gente capaz de tudo, deve ser da massa dos crepes.



No Sacré Coeur também se faz figura, também se posa, sobretudo se se sobreviver ao cheiro a urina do pigalle e às bancas de jogo da vermelhinha, escondida sucessivamente por mãos mânfias e sabidas. No caso em apreço há uma inovação vinda de Leste, a pose em movimento, uma espécie de fabuleux destin d'amelie en passant, desafiador, provocatório,





a milhas da pose vaqueira escolhida para os portões de Versailles. Versailles, o fausto, a opulência, o estupor, espanta-me até que a Maria Antonieta não tenha dito "se não têm pão, comam éclairs forrados de chantilly e enfeitados de fraises fraiches acompanhados por um confitado de marrons glacés", Versailles, local onde aliás podemos assistir a belíssimas mise en scènes da pose, com direito a trabalho apurado de guarda-roupa, como podemos comprovar na foto acima.



Já nos Jardins du Luxembourg impera a força do colectivo, Jerónimo põe os olhos nisto, o sentido de estado, a disciplina coreana, num cenário de grande categoria,



em oposição total a quem escolhe bonecada feita a spray na fachada da Fundação Cartier para a arte contemporânea como pano de fundo para um best of das vacanças na cidade-luz,



optassem antes pelas cercanias da ponte Alexandre III, ilustrada por esta fotografia que testemunha a proliferação desembestada de fotógrafos e poseurs assim que se abre a porta de um qualquer autocarro de turismo. Lá ao fundo topa-se o Grand Palais, vizinho da estátua do general De Gaulle, sendo que do outro lado da rua mora o Petit Palais, ladeado por uma estátua do Churchill, portanto, grande é o nosso narigudo, o nosso exilado, tu ó bife gordo, lá porque desembarcaste uns madraços nas praias da Normandia não penses que te amamos ou qualquer merda assim, põe-te no teu lugar, não é necessário ser graduado em semiótica para tirar um 2 + 2 desta situação, que aliás me afasta do tema principal, a pose, praticada a uma escala abissal em paris;



diria até que o cúmulo da perversão é testemunhar a participação da minha toniciganita nesta feira de vaidades aliadas ao pixel e ao zoom digital, aqui podemos ver como ela rompe o compromisso observador/observado, participando na encenação de uma família de estranhos. em pose. com um palais por trás. Paris, no fundo, é isto, mais croissant, menos croissant.

espaço PUB

© rabiscos vieira

na próxima sexta-feira à noite lança-se o esperado 2666 de roberto bolaño, e para ajudar a levar o horror para além das fronteiras da literatura eu vou estar a partir da 01h30 no music box a dar música ao dito lançamento. informações mais detalhadas aqui, ou aqui. depois não digam que não avisei.

L'amour é mas é o caralho

© fotogramas vieira

quem diz que paris é uma cidade romântica nunca assistiu a uma techno parade no quartier latin. nunca assistiu.




o regresso

estou de volta depois de esta manhã ter largado 17 euros por um brioche. quer dizer, num brioche. dorée, para ser mais exacto. no brioche dorée e por duas sandes e dois copos de leite. enfim, regresso um bocado confuso mas este não é blogue que se ressinta disso.

o código boliqueime

fulano enfia-se pelo louvre a dentro (a baixo) e percebe que no fundo a mona lisa, com aquele sorriso seráfico e atrás daquele caixilho de alumínio envidraçado, não passa de uma espécie de cavaco silva à janela na sua marquise da travessa do possolo. e isso é vagamente desconfortável para um blogger em viagem.

o retrato de lambuza gray

plantada em frente ao túmulo de oscar wilde uma manada de odaliscas teutónicas, que é como quem diz, de adolescentes alemãs, lambuza os lábios com baton, dois segundos antes de atestar gordurosos linguados na última morada do artista. lá dentro oscar dá voltas incessantes na tumba. vocês sabem do que eu estou a falar.

la tradition n'est pas o que era

contava ser mimado por indivíduos de boina, polo às riscas e acordeon, plantados nas esquinas charmantes de la cité. ao invés, saiu-me uma trupe de pretos e magrebinos a dançar o brekdance no boulevar de saint michel. é isto a nouvelle vague, filha, é isto a nouvelle vague.

paris, tomo 2

paris não é só património, monumentos, croissants de massa folhada, património e, vá lá, monumentos. hoje estive no centro pompidou e pude assistir a um vídeo-performance de uma senhora que luta contra o poder falocêntrico posando toda nua numa praia enquanto faz hoola-hoop com uma rodela de arame farpado. sabendo-se que a doutora ferreira leite optou por não fazer comícios, fica esta sugestão alternativa. e avant-garde.

paris, premiers symptomes

o povo de paris ama a literatura. ama-a tanto que dispôs centenas de sem-abrigo na cidade-luz de forma a fazer lembrar les miserables do victor hugo. há povos danados para a brincadeira.

e agora vou ali e já venho


quem sabe, entre um croissant e uma ou outra cotovelada num turista japonês, ainda poderá haver espaço para um post. ou dois.

Ruca acha que a memória não é a única característica do elefante que está na posse do escritor

Desde que chegou a Portugal em meados do Verão que Raquel dos Santos Pereira, a nova namorada de António Lobo Antunes, nunca mais regressou ao Brasil. O casal está cada vez mais próximo e já vive junto em Lisboa.

lisboa em baixa resolução # 208, especial festival Todos

© fotogramas vieira

hungria, itália, eua, argentina, brasil, senegal, tunísia, cuba, mali, equador, podia estar a referir-me à composição do onze inicial do Arsenal de londres mas não, trata-se da amálgama que enforma a orchestra piazza vittorio, formação que veio abrilhantar as noites da cidade ali ao largo do intendente, chaga lisboeta, auto-estrada do cavalo e dos corpos à venda, nesse dia repleta de uma salada de frutas de gente interessada em dar à perna e simular maracas - é um estilo de dança que aprecio - pelo que o combo que assaltou o palco, vindo directamente de roma, estava fadado ao sucesso; à minha beira e num campo de visão relativamente limitado evoluíam duas saracoteantes prostitutas, uma preta e uma branca como no licor sheridan's, uma sexagenária gingona, uma família de ucranianos tão familiarizados com uma câmara digital como com os dentes de ouro, um velho amorfo com uma gigantesca nódoa de vinho a servir de camisa, uma preta trajada de cores garridas como se acabasse de chegar das orações de sexta-feira ali a são sebastião, um casal de trintões com um par de filhos enganchados na baia de protecção, uma jovem sozinha mas acompanhada por uma litrada de sagres, passe a contradição, uma quarentona que fazia lembrar a minha vizinha de baixo mas em versão mais serena, também são assim as noites de Lisboa, nem tudo se resume ao lúgubre Silk ou aos camiões que debitam ritmos de aeróbica em frente aos armazéns do chiado (não estou a gozar) da era santana lopes. no final as dez nacionalidades da banda fizeram uma vénia colectiva mas nós é que agradecemos.

Jorge de Sena regressa à casa de partida

© rabiscos vieira

bem sei que este post chega atrasado mas tê-lo feito durante o fim-de-semana, altura em que os meus 12 leitores andam a laurear a pevide em vez de estarem a navegar na internet esfaqueando a produtividade nas respectivas empresas como é habitual nos dias úteis, seria uma indignidade.



mÚSICA & dESIGN


entrar de férias é um júbilo


espaço pub

joel neto é um cronista daqueles mesmo do ramo e agora pode ser acompanhado aqui.