a vertigem das listas, como diz o outro: os livros


a escolha mais espinhosa no ano dominado pelo 2666, rolo compressor literário que me encantou, gargantuesco, torrencial, permanentemente em expansão, obra de um sem-vergonha lavador de pratos que não tem pudor em mostrar músculo e inteligência inesgotáveis, não me fodam, o livro não pode ter acabado ali, encontrem mais papéis do homem senão eu mato-me, como diz o pequenote d'a causa foi modificada, 2009 foi então 2666 e mais 9, o que é uma conta esquisita e eu não quero baralhar mais os meus 12 leitores da área D que seguiram para letras para fugir à matemática. a saber:

2666 • Roberto Bolaño • Quetzal

O dia Mastroianni
• João Paulo Cuenca • Caminho

Myra • Maria Velho da Costa • Assírio & Alvim

A Ofensa • R. Menendez Salmón • Porto Editora

A solidão dos números primos • Paulo Giordano • Bertrand

Teatro • Bernardo Carvalho • Cotovia

O homem que confundiu a mulher com um chapéu • Oliver Sacks • Relógio d'Água

O estrangeiro • Albert Camus • Livros do Brasil

O complexo de Portnoy • Philip Roth • Bertrand

The Looming Tower • Lawrence Wright • Penguin


a vertigem das listas, como diz o outro: os discos

uma selecção do que mais saboreei em 2009, independentemente da data de lançamento da rodela. o costume.



Beach House • Devotion




Dirty Projectors • Bitte Orca




Fever Ray • Fever Ray




Grizzly Bear • Veckatimest




Kanye West • 808s & Heartbreak




OqueStrada • Tasca Beat




Stevie Wonder • Talking Book




The Dead Weather • Horehound




The XX • XX




The Tings Tings • We started nothing

é um lugar cercado de água

logo eu, que tenho uma má (inexistente?) relação com a poesia a trazê-la à liça no blogue, com a devida autorização do autor jorge fallorca que vai não volta dá o ar de sua graça neste barraco, e tudo com o pretexto de esconjurar o calendário, de lembrar que o Olímpio Ferreira saiu de cena faz hoje dois anos, hoje, dia em que outras gentes do meu coração também estão de luto por via de uma daquelas notícias chegadas pela manhã. alguém que acabe com o 30 de dezembro.

É um lugar cercado de água por todos os lados. Ilha.
Nome próprio e singular.
Quer seja oceano, bairro, monte, eu não sei como lhe
Chamam no sul, por exemplo:
Ilha é outra coisa. É ser.
Cercar de todas as maneiras a possibilidade,
De acesso.
Ilha rima com filha, partilha (esta é dos karts), matilha
Camilha, e outros rores.
Que sempre falaram de ser.
Por todos os lados como o ar.


Jorge Fallorca in Alpendre
& etc - subterrâneo três,
1988


nem quero pensar no que seria o detonador

Abdul Mutallab levava um pacote de pó explosivo cosido às cuecas

a vertigem das listas, como diz o outro: os filmes

num ano em que andei um pouco arredado da sala escura aqui ficam as minhas 5 escolhas, à confiança






festas felizes

trabalho, trabalho, trabalho, como diz o filósofo-agricultor de palmela, pés inchados, polegar esfolado de tanto empacotar futuras surpresas, algumas desilusões, e pelo meio alguns enfardamentos com contornos de ganso que vai fazer as vezes de foie gras, de comes e de bebes, ai caralho, as consultas de nutricionismo a 60 euros, não esquecer os 60 euros (trinca), 60 euros vezes as vezes que lá fui (morde), e ainda aquela gente que nos quer atrasar a consoada porque comprar um livro é uma emergência, ou porque é só mais um ou porque já sei o que é que vou buscar, ou por que é que fecham tão cedo? e depois do dia 25, ganso, os restos do natal, ganso, o fígado aos saltos, ganso, andar mareado e a partir de dia 26 ir aturar as más rabanadas dos outros, que ainda compram, ainda querem embrulhar, é para oferta?, ainda querem ou fingem querer agradar ao cunhado, ao irmão, à tia, ao colega de open space que volta a cheirar a porco na chapa depois do almoço no chinês, é para oferta?, alguém pede a morte de iva tolstoi, sendo que a 27 começaram as trocas, as hillaries manteles pelo rodrigues dos santos, os filipes rothes pelo rodrigues dos santos, doutor pulido valente, ponha cobro nisto, em portugal já ninguém lê nada de jeito, ao contrário de há décadas atrás, quando éramos tão instruídos, só regredimos agora, quando qualquer piolhoso tem direito a pôr as patas na escola, os thomas ménes pelo rodrigues dos santos, o povo embruteceu, dantes um gajo tropeçava em helenistas em cada esquina, agora só nas minhas cercanias, grandes mamas têm as novas helenas de tróia que aguardam o resgate por via do respectivo cavalo, que é como quem diz, do automóvel de gama alta que põe os quatro piscas enquanto negoceia o programa das festas, helena, sou o teu páris, confirma-mo com essa voz grossa que a depilação definitiva não disfarça, tudo isto à minha beira, a silicone é tão necessária na rua como nas janelas da minha casa nova-velha que tem mais frinchas do que o caso freeport, janelas daquela madeira que sobrou da frota de menelau e aquiles, e mais o ulisses que no regresso a casa ainda teve tempo de fundar a nossa cidade, linda, linda, se bem que o moço podia ter deixado por cá mais prédios com placa, mais caixalharia em pvc que isole, depois de uma noite temporal digamos que as paredes são um pequeno mediterrâneo e que a folga mete calafetagem e paragem no aki, em 2010 haverá então que partir, substituir, rebocar, pagar, pagar, pagar, não há almoços grátis como diz o savonarola do diário de notícias. é para oferta? antes fosse.

na ressaca de um lauto jantar de natal antecipado na companhia de uma dúzia de camaradas

pensava que por esta altura se andaria com a boca a saber mais a rabanadas, menos a papel de música.

pró natal, o meu presente, eu quero que seja


uma sugestão de Ruca


Yusuf Al Chewbacca

Abel Xavier acaba carreira e converte-se ao islamismo

A Bola, 22/12




desgraça

© rabiscos vieira





tudo isto é lindo, tudo isto é natal # 3

- tem o livro «Avenida de Roma» da Lidia Jorge?
- será o «Praça de Londres»?
- é isso, é tudo lá perto


tudo isto é lindo, tudo isto é natal # 2

desculpe, onde é que tem os livros sobre padres?

tudo isto é lindo, tudo isto é natal # 1

tem a sombra e o vento do faulkner?

espaço pub

o Ricardo, meu broda do coração, camarada e tudo o resto (re)aderiu à blogosfera e logo para mostrar trabalho. é seguir o link e depois voltar, ó faxavôr.

pró natal, o meu presente, eu quero que seja


uma sugestão Sandro & Carina


eu adoro, amo mesmo o ricardo araújo pereira, mas também, foda-se

num par de dias o primeiro-ministro italiano levou com uma catedral nas trombas e a árvore de natal do vaticano ficou às escuras, o que significa que a tradição já não é o que era, que o sagrado pode deixar de o ser, isto qualquer dia ainda põem um homem na capa da playboy ou assim.

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© rabiscos vieira

depois das diatribes do pontapé na bola, os conselhos para o homem com Ó grande. mais rabiscos vieira a partir de amanhã em (quase) todas as livrarias.




gostava mais da versão cayatte ilustrador de capas da teorema do que da versão cayatte enrabador do contribuinte com a benção do estado, ai gostava, gostava, mas enfim, é o que temos, como dizem os filósofos de café, os taxistas, os treinadores de bancada, o povo em geral

No passado mês de Julho foi colocado online o portal oficial das celebrações do centenário da República Portuguesa. Um trabalho feito pelo atelier de design Henrique Cayatte, por ajuste directo, ou seja, sem concurso e que custou ao estado 99 500 euros

via facebook do meu camarada tiago





desde que tenha palavras gregas a gente é a favor dessa sexualidade



pior. eu era um adolescente e estava lá quando tudo isto aconteceu.


se calhar querias antes um prontuário ortográfico

quero homem 100% maxo

wc de centro comercial devidamente identificado




amores imperfeitos # 175

Sandro tece rasgadas loas a "a faca não corta o fogo", Carina acha mal que se ande a publicar em papel as cantilenas dos madredeus.

coração das trevas

isto não anda para meninos, é fazer de burro de carga com um sorriso na cara depois de dar o cu (ou dois) e oito tostões para aumentar as assoalhadas e manter ancoragem no coração da cidade, que é como quem diz, no coração do engate travesti, dos hospitais especializados em coração, em olhos, em presuntos assim as coisas corram malzinho, no coração do co2, à beira das aortas da cidade, ele é autocarros, minipreços, metro e centro de emprego, universidades privadas, shows de varão e putas de griffe e no meio da selva de betão e madeiras untadas um gajo acorda com um galo a cantarolar às seis da manhã. um galo, a quem eu serrava o pescoço com um pinta do caraças e os protectores dos animais e o caralho que se fodam à babugem; vão antes chatear a moleirinha ao joaquim bastinhas que eu trato do cocorococó. um galo. não há cu (ou dois).

com a aproximação do natal o humor fica infame, infame

ontem à noite encontrei um cego vendedor da Cais. espero que não se tenha tornado sem-abrigo por não ter conseguido encontrar as chaves de casa.

entretanto parece que o "30 anos de mau futebol" anda aí a amarinhar pelos tops

© rabiscos vieira

e curiosamente ainda só o folheei porque participei de forma directa no seu fabrico, pois que o canhenho ainda não deu o ar da sua graça no estabelecimento comercial onde ganho a vidinha. deve ser a isto que se chama uma lei de incompatibilidades.