do livreiro enquanto profissão que repousa entre a espada e a parede # 4

ouvir o cliente perguntar pelo processo civil de franz kafka. respirar fundo. aparentar normalidade.

5 comments:

Eric Blair said...

pá, se calhar era um processo civil que tinha sido propriedade de Kafka, e talvez até assinado por ele. Coisa de valor, pá. Olha que era um alfarrabista...

mariana mata passos said...

alguém anota:

No dia em que se assinala a reedição das actas das reuniões em casa da diotima, pela dom quixote, dois volumes, alguém entra numa livraria e pede o livro "Baile da Vera" quando,traduzindo em português de bom livreiro , o que queria era o "Clube Bilderberg"...

não haveria o mundo de andar às voltas...ele é tanta festa de salão!

Mazinha said...

Eu já ouvi uma menina de letras pedir "As três irmãs de Tchecov". A "livreira" perguntou-lhe e o autor e ela respondeu "ai isso num sei, pensei caqui soubessem"

Sara said...

e é por essas e por outras que pode dar jeito a prática teatral. Eu também tento aparentar normalidade quando o colega da frente, quando só se ouvem as manitas nos teclados, grita: parem com as vozes!

ele há dias...

menina limão said...

que beleza! aparentar normalidade, no meu caso, seria muito difícil. acho que teria mesmo de fazer uma pequena incursão no teatro para domar as expressões automáticas.