a bymblos

demorei muitos meses a escrever um post que tem estado latente, acerca da bymblos, nome mais apropriado à gestão de certa e determinada livraria que hoje cerrou portas, num quadro de insolvência, linguagem que ouso usar depois da esfrega de direito que tenho levado, contas de outro rosário, aliás, por agora fala-se do assunto do dia, do sonho que se transformou em pesadelo nas palavras do homem ao leme do titanic. como muitos sabem integrei a equipa inicial da bymblos, aliciado por um projecto de peso e uma boa mão cheia de euros a mais na carteira, que vieram a revelar-se hipotéticos, primeiro, fantasiosos, depois, grande quota parte da minha saída teve a ver precisamente com esse enfiar de barrete, coisa natural, costumo dizer até que a minha gestão de carreira é digna de um mário jardel mas com menos golos marcados. a estocada do dinheiro foi o corolário de um processo paranóico-crítico de quase quatro meses em que se foi ouvindo de tudo, fanfarronices acerca do projecto triunfante, da estante robotizada que foi funcionando aos coices, do sistema de localização rfid que fazia dos livreiros uma espécie de cobradores da carris obcecados pela leitura de códigos de barras, do processo de formação, coaching e acompanhamento on job (expressão vagamente ordinareca para espiolhice), evitem utilizar a palavra não, a palavra problema, cuidado onde põem as mãos, quando o empregado aparece com elas atrás das costas o cliente desconfia, afinal o coach sabia do que falava, havia muito para desconfiar dentro daquelas senão quatro, duzentas paredes, perpendiculares a espectaculares alcatifas e sofás, candeeiros curvos e bazófia. e livros, poucos. os trabalhos de montagem foram épicos, graças ao empenho de quatro dúzias de cordeiros bem instruídos, voluntariosos, que chegaram a fazer uma directa para ter a barraca mais ou menos composta para receber a doutora pires de lima, o doutor almeida santos, o senhor júlio isidro, naquele que foi um prenúncio do autêntico passeio dos alegres em que a bymblos se iria tornar. ou dos patetas, e reconheço que a carapuça também me serve. os sinais estavam todos lá, desde o processo de catalogação dos livros até à caução de 150 euros relativa ao uso da farda (um bonito pendant de azuis a lembrar a carreira 749, cortesia de katty xiomara), passando pelo atraso nos fornecimentos iniciais e posteriores por parte das distribuidoras, pelo mito dos 150.000 títulos, pela gestão balcânica dos pedidos de cliente, pela revista aos sacos dos trabalhadores da livraria por parte da empresa de segurança, ordens da administração, diziam eles. e eu, que nunca peguei num canhenho de recursos humanos a achar que não é por aqui que se conquistam muitos corações para a causa. e o dinheiro, claro. peguemos no dinheiro A, prometido nas entrevistas. comparemos com o dinheiro B, recebido no final de cada mês. não havia correlação. e então vieram as reuniões, por grupos, nas quais veio à baila um conceito muito lindo por parte de um responsável: quem quer bolota, trepa (sic). deve ser um conceito de gestão que também foi importado da alemanha, ou do brasil, ou de inglaterra, ou de um dos inúmeros locais onde a administração afirmava ter ido beber dos melhores exemplos em gestão de livrarias. por falar em beber, o encerramento da byblos não é para mim motivo de brinde, há muita gente por quem tenho estima que tem neste momento o horizonte cinzento pelo facto de não ter abandonado o barco mais cedo. eu bati com a porta no dia 29 de fevereiro deste ano e talvez por ser um dia raro no calendário acertei na decisão. uma vez na vida, caralho.

24 comments:

Rui Pedro Lérias said...

Gostei de ler; é bom perceber mais causas para esta morte anunciada.

Eduardo said...

Os milagres da gestão à portuguesa -- cujas culpas acabam sempre a cair nas conjunturas e não sei quê -- muito bem revelados.

Samuel de Paiva Pires said...

Caro Pedro, fui lá 1 vez, fiquei desconfiado, fui lá uma segunda vez e jurei para nunca mais. Espanta que ainda tenha durado tanto tempo!

Anonymous said...

Não estive na Byblos desde o início, mas quando entrei no barco apercebi-me quase de imediato que algo se passava, mesmo sem perceber patavina de gestão...Não era normal não recebermos as novidades! (ok,lá vinha a treta de que éramos sobretudo uma livraria de fundo de catálogo!Tretas!).Incomodava-me ter que responder aos clientes que essas novidades estariam para chegar...Preocupavam-se mais com a merda das fardas (tipo homens da Carris) do que com aquilo que faria mexer a Byblos...Vão declarar a insolvência...O "Sr." Areal pode ficar em casa a comer a sopinha da mulher...Os trabalhadores que se lixem...Ah! Já me esquecia: O problema da Byblos foi a conjuntura! Tramada essa gaja!

Eduardo Serra Lopes said...

caro anónimo,

quem quer bolota, trepa!

LOLOL:P

Artur Lourenço said...

Pois sem dúvida que empresas abrem e fecham todos os dias.
Esta é mais uma, mas que me toca com pesar, sempre adorei o conceito e as pessoas desta loja.
É pena que não possa ir lá para comprar mais nada.

Mas toda a atenção mediática se volta para os 4 Milhões de investimento do projecto, para o sonho que virou pesadelo, quando em boa verdade tendo pesadelos desses todos os dias teriamos a vida muito mais facilitada, não seria bom que ao chegar a conta x para pagar se pudesse apenas dizer "Não tenho como pagar, não me resta alternativa, abre-se já uma insolvência na hora".
Falo claro está da situação Caótica em que fica toda a máquina humana que dia após dia nos atendeu com aquele sorriso simpático, mesmo à medida que as prateleiras ficavam mais vazias pelas agora sabidas devoluções.
O verdadeiro rosto da Byblos nunca foi o RFID nem as estantes robotizadas, nem os terminais de pesquisa que tantas vezes usei.
A Byblos será sempre aquela equipa de verdadeiros profissionais que atruraram as nossas pancadas e arrogâncias com aquele sorriso.

Quiçá não se tenham dado conta ainda da verdadeira tragédia Grega que se avizinha para eles, pelo que julgo saber apenas hoje em reunião foram informados da realidade, quando já um batalhão de reporteres sabiam o facto consumado e era notícia das rádios.
Insolvência... Pois sim! Até aposto que os laragaram ás feras com meia duzia de lérias, numa verdedeira atitude digna de pilatos, vamos ver em que lençois colocaram estes cerca de 30 profissionais.

Falhou redondamente o comunicado de imprensa, nem uma palavra de agradecimento a quem julgo sempre ter dado o melhor de si!

Da minha parte como Cliente, não farei o mesmo.
A esta verdadeira "Equipa Maravilha" que sempre foram os profissionais da Byblos quero deixar o meu mais profundo apreço.

Obrigado por terem sempre mantido a cabeça erguida, o sorriso nos lábios mesmo com tudo a desmoronar à vossa volta!

jorge c. said...

Ah! C'um caralho! Estava à espera que dissesses alguma coisa para te vir dar os parabéns pela mudança antecipada.
Espero que agora, juntinho ao Direito estejas mais resguardado!

Luis Rainha said...

Ó que tempos já esperava por este post, carago!

serrata said...

Mas então as empresas em dificuldade (ainda que por incompetência da gestão - sublinho: da gestão) têm mesmo que fechar?

Inês Meneses said...

Parabéns pelo sentido de oportunidade, Pedro, quando vi ontem a notícia ainda tive um sobressalto antes do meu cérebro se lembrar que já não tinhas nada a ver com isto.
Mais uma miragem cultural que se esvai. Como tu dizes, não é que não houvesse sinais.

FucItAll said...
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Inês Meneses said...

serrata, não havendo um programa alargado de nacionalizações em curso... ;/

Anonymous said...

Pedro, retórica..

intruso said...

Bymblos, belo nome

(fui uma vez e não repeti...)

[mais uma espécie de elefante branco...]

de.puta.madre said...

Um coisa tola que já finou. Fixe.

Anonymous said...

Para a Inês Menezes e de.puta.madre, com autorização do Pedro, claro está: ainda bem que fechou... sim, por um lado. Por outro, era o meu ganha-pão. Se alguns sairam logo, outros preferiram - mal ou bem - acreditar. Respeitem isso, pelo menos. Sim, a equipa era composta por bons profissionais. Para o resto, caguei!

Bymblos babe

Vicissitude(s) said...

É triste que se metade das empresas fosse realmente independente do Estado (sem qualquer benefício ou patrocínio ou previlégio), Portugal acabava como a Byblos; encerrada.

O que o amigo escreveu foi o que eu passei em várias empresas, desde a "Novabase" ao "Santander" e CGD.
É o chamado, pato-bravismo Lusitano. Há tudo para andar, grandes perspectivas, horizontes infindáveis, engordas de salário, mil mulheres lindas à nossa espera... na realidade?, fascismos de empresas que apenas engordam a partida e deduzem na chegada. O caminho da Byblos é o caminho de centenas de empresas e gente mal formada que polula nas empresas Portuguesas.
A boa gestão tem disto.

qwerty said...

O próprio nome era pedante, para não falar do sítio da loja, onde um gajo provavelmente é assaltado às 6 da tarde ou, em todo o caso, onde toda a gente menos pode parar. Devia ter topado logo. É como apostar no salão "Belita Coiffeur" no meio das montanhas em Góis. Mas outra coisa, isso de escrever textos em minúsculas (que apenas complicam a vida ao leitor), também é meio selvagem.

Anonymous said...

A Byblos fechou devido à incompetência da administração,ao principio tudo á grande e á francesa...O Rui Gaspar vá mas é treinar cavalos para o horseball e leve a sua secretária com ele a Leonor Viana, outra incompetente com Letra grande!. Quanto ás ditas revistas dos sacos pela parte da segurança deve-se ao Sr. Hugo Cardoso que não acredita,em ele próprio, quanto mais nos outros...Os bimbos são desconfiados!!!!Mas certos funcionários não fogem do role da incompetência e a começar pelos ditos responsavèis das áreas,1º prémio para o sr.nelson vaz,até roubava!!! logo a seguir 2º artista o pedro correia e outros que não valem atenção...
Se não estou em erro pedro, fizeste bem em abandonar o barco mais a tua esposa.E isto tudo na Byblos Amoreiras !!!!!!!!!

susana said...

só posso dizer que fiquei com muita pena... trabalhava nessa altura nas amoreiras e era um banhito de livros que me fazia tão bem e que me afastava do mar de futilidade do centro comercial.. tenho pena. Está dito:)
Susana

pedro vieira said...

caro anónimo, no que me concerne há de facto algo em que incorre em erro. a minha "esposa" nunca trabalhou na byblos, penso que estará a confundir-me com outro ex-funcionário da livraria.

Filipe Simões said...

Triste é a cobardia de algumas pessoas que se escondem na manta do anonimato. Triste é o facto de desrespeitarem e insultarem profissionais que vivem do seu trabalho. Triste é não terem mais nada para fazer do que expressarem críticas destrutivas, corrosivas e venenosas. Calem-se anónimos! Sejam decentes e identifiquem-se! Enfim, sejam alguém!

Artur Lourenço said...

Pois...

Após uma semana de nervos para muitos dos funcionários...

Finalmente o Tribunal do Comercio de VNG disse de sua justiça:

Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia 3º Juízo

INFORMAÇÃO

(Artº 38º nº 3 b) do CIRE)

Processo: 753/08.8TYVNG

Referência: 961390

Insolvente: Livrarias Peculiares, S. A., NIF - 507680111, Endereço: Av. da Boavista Nº 3265, Sala 4.1, 4100-137 Porto

Administrador da insolvência: Manuel Reinaldo Mâncio da Costa, Endereço: Rua de Camões, 218 - 2º Sala 6, 4000-138 Porto-TELEF/FAX: 222 088 682

Publicidade de sentença nos autos de Insolvência acima identificados

No Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, 3º Juízo de Vila Nova de Gaia, no dia 26-11-2008, às 23:14 horas, foi proferida sentença de declaração de insolvência do(s) devedor(es):

Livrarias Peculiares, S. A., NIF - 507680111, Endereço: Av. da Boavista Nº 3265, Sala 4.1, 4100-137 Porto

com sede na morada indicada.

Para Administrador da Insolvência é nomeado(a): Manuel Reinaldo Mâncio da Costa, Endereço: Rua de Camões, 218 - 2º Sala 6, 4000-138 Porto

O prazo para a reclamação de créditos foi fixado em __30__ dias.

Os prazos são contínuos, não se suspendendo durante as férias judiciais (nº 1 do artº 9º do CIRE). Terminando o prazo em dia que os tribunais estiverem encerrados, transfere-se o seu termo para o primeiro dia útil seguinte.

Publicado sexta-feira, 28 de Novembro de 2008, nos termos do Artº 38º nº 3 al. b) do Dec. Lei n.º 53/2004, de 18 de Março

Agora senhores credores... atirem-se à febra... se é que há alguma...

Anonymous said...

PEDRO FOSTE MUITO RUDE NAS PALAVRAS QUE UTILIZASTE.TENS RAZAO QUANTO AOS IDEAIS UTOPICOS DA ADMINISTRACAO.MAS TINHAS LA BONS COLEGAS E PROFISSIONAIS.EU ACHO E QUE TU TE DEIXASTE LEVER PELA LENA ,O SEU MARIDO,O TEU COLEGA PEQUENINO DA ARTE.NAO SEI SE SOUBESTE MAS O TAL DINHEIRO QUE TARDAVA EM CHEGAR(HORAS EXTRS),CHEGOU .E DEPOIS DA TUA SAIDA (E NAO FOI POR TUA CAUSA OU CULPA) O AMBIENTE MELHOROU E MUITO ,POSSO DIZER GRAÇAS A SAIDA DA LENA ,POIS ELA DESTABILIZAVA OS NOSSOS COLEGAS .O AMBIENTE ERA BOM .A PORCARIA ERA A ADMINISTRACAO.