eu que me comovo por tudo e por nada



a Visão desta semana traz à baila um perfil de Pedro Avillez, líder da editora Tribuna da História, chamando ao título a expressão "Um tiro no alvo" e eu solidário com a escolha, também eu já me senti alvejado pela Tribuna da História há uns meses, acontece a muitos, a todos, pelo menos aos que se põem a jeito, e a desdita conta-se em duas penadas.
Há tempos deparei com uma ilustração da minha lavra plantada num livro publicado pela dita editora, aquela que segundo a Visão ajuda a revalorizar a História portuguesa e a promover o seu conhecimento aquém e além fronteiras, eu diria que a Tribuna ajuda também à propagação da pilhagem e descaramento à portuguesa. Concebe-se um livro, procuram-se imagens que lhe dêem um ar compostinho e recorre-se ao copy-paste a partir da internet, fácil, fácil, sem pagar direitos, consultar autores, inserir créditos na paginação, um mimo de facilidades, e eu rancoroso, com pouca fé nas nossas justiças e pouco saldo para as custas, a assistir de camarote ao meu próprio enxovalho, mas hoje, depois de degustar o artigo em questão, penso de forma diferente. Afinal de contas o senhor Pedro Avillez garante que só perde dinheiro com a editora mas que ainda assim isso não lhe tira o sorriso, faz o que nunca ninguém aqui tinha feito e divulga a nossa História lá fora, espero que o faça de forma completa, com a explicação das raízes do nosso chico-espertismo de que o mundo editorial ainda se socorre amiúde, corta-e-cola e os direitos de autor a fugir a toda a brida, mas se calhar a questão nem se coloca, eu que pensava cobras e lagartos desta gente que tira vantagem comercial da pirataria já refiz o meu julgamento, eles no fundo estão a divulgar, a mimar a nossa identidade e a nossa cultura, aqui dentro, lá fora, por todo o lado, ainda por cima por simples carolice, sem forrar carteiras e nibs, pobrezitos, sinto uma Senhora das Dores a crescer-me no peito, arrependimento, acrimónia e toda uma nova vontade de participar nesta demanda. E é por isso que anuncio à Tribuna da História que já não os considero uma chusma de francis drakes dos pequeninos que lambem os beiços à custa da actividade criativa de terceiros; hoje desejo dar o meu contributo à propagação da História do nosso cantinho e como tal alerto a editora para o meu portfólio online, alojado em riscar.net, documento já organizado por áreas e categorias e clientes o que facilita imenso o copy, o paste, e todos os outros instrumentos de que se socorrem para sacar imagens da internet. Se procurarem com afinco aqui no irmaolucia talvez até encontrem outras ilustrações que vos possam interessar, só lamento não as ter organizadas ao vosso gosto, é o mal do egoísmo associado aos blogues. Da primeira vez pilharam-me o grande Aquilino, sugiro que para a próxima escolham alguém de idêntico calibre, não espero menos do vosso critério, e finalizo lançando um apelo a revisores, paginadores, impressores, maquetistas, distribuidores, livreiros, fotógrafos e ilustradores que trabalham com o mundo editorial: contribuam para o enriquecer da nossa identidade nacional oferecendo trabalho e tempo e tudo à Tribuna da História. Afinal, eles lutam por manter o sorriso e num tempo de vacas magras e caras tristes isso faz toda a diferença.

26 comments:

Anonymous said...

O que esta editora fez não está correcto. Todavia, o sr. Pedro Vieira, que muitas vezes usa fotografias de outros como base do seu trabalho, como parece ser este o caso, não deveria também indicar qualquer coisa do género: ilustração de X sobre fotografia de Y?

Mad Bad Bud said...

Subscrevo inteiramente o comentário anterior.

Dona Mulata said...

Oh gente,

Que baralhação. Sabe que gosto muito do seu trabalho Pedrinho, e não acho correcto não.
Penso até e pelas visitas que minhas velhas pernas fazem aí ao seu cantinho de trabalho, que alguém o plagiou numa campanha de comemoração qualquer, deve ser malta afectada pela crise, é que eu tenho catarata, mas ainda tenho alguma perspicácia.

Olha, sabe esses aculturados que estão entre minha geração e a sua, não tem muito respeito pelo outro, viveram sofregamente, como se tudo fosse acabar amanhã, afinal, até pode acabar mesmo, deram cabo de tudo. Já assisti a demasiados jovens verem seus talentos desperdiçados e/ou desaproveitados, por inépcia dos que têm uma palavra a dizer. Espero muito sinceramente, que não seja o caso para você.

Aquilo que eu tinha para dizer, é o que diz o tudo menos silencioso, mas muito justo blogueiro Senhor Palomar, é fi…, e pronto, tenho dito.

Desejo-lhe a si Pedro encantos mil

Dona Mulata

P.S- Aos senhores que estão assinando os comentários acima, lembrem-se que muito do trabalho artístico é feito desse mesmo jeito, e que tal prática não constitui plágio nenhum, nem tem previsto na lei, algum tipo de obrigatoriedade de identificação da origem do trabalho. Pobre Warhol e todos os outros que reinterpretaram a realidade para que outros pudessem apreciar.

Mad Bad Bud said...

Dona Mulata,

Ninguém é obrigado a fazer nada. O Warhol usou fotografias de outras pessoas e ainda bem que o fez. E foi processado por isso.

Dona Mulata said...

Caro Bud,

Ai, não falei gago pois não?

Olhe, não compreendo sua posição, ainda bem que o Warhol o fez?
Mas você não estava ainda agora a reclamar? Ou porque é o Warhol, pode ser, o Pedro Vieira não? E foi processado? E você acha bem? Que vergonha guri. Os meandros artísticos não se podem pautar por tais considerações, se a inspiração virar crime, ui.

A si Bud muita marmelada de jabuticaba para adoçar e felicidades.

Ao Pedrinho (desculpa a intimidade, mas não posso evitar) mais uma vez muita inspiração para você,

Bom gingar de fim-de-semana a todos

Dona Mulata

P.S - Meu Deus estou tornando-me uma velha louca desbocada. Bem que meus netos disseram que ia acontecer, assim que começasse a mexer com esse troço de computador.
Não responderei, apesar de não ter mais nada para fazer.

Mad Bad Bud said...

Dona Mulata,

Não compreende a minha posição porque está a misturar as coisas. Eu disse que subscrevia o que tinha dito o comentador anónimo, ou seja:
Não devia Pedro Vieira indicar a fonte das fotografias sobre a partir das quais faz o seu trabalho?
Independentemente da obrigação legal, julgo que há aqui um imperativo moral. O Pedro Vieira não é uma criatura com três ou quatro leitores que de vez em quando faz umas graças no MS Paint.

Depois, temos o comentário da Dona Mulata que faz referência a Andy Warhol querendo demonstrar que, tendo Warhol e PV um modus operandi similar, e nunca tendo Warhol sido afligido com essas castrações criativas que são os direitos de autor, nesse caso, não haveria nada a assinalar no comportamento de PV. Ora, como já disse, a premissa está errada.

Posto isto, eu gosto que Warhol tenha feito o que fez, pois gosto sua da obra. Mas também acho perfeitamente natural que tenha sido processado e isso não choca nada.
No entanto, entre ser processado ou pagar direitos de autor e referir a fonte de uma fotografia, como é sugerido vai uma grande distância. Talvez as cataratas da Dona Mulata não lhe permitam avaliar com precisão esta diferença mas ela existe, asseguro-lhe.

Com os meus melhores cumprimentos e uma sopa de pedra e felicidades,

>Bud

pedro vieira said...

caros anónimos, agradeço os comentários e tenho pena que confundam o género humano com o manuel germano, citando o mário de carvalho, com todos os copyrights. se quiserem dar a cara e os contactos convido-vos a sentarem-se ao meu lado para verem a forma como trabalho e desenho, a ver se põem água fria na excitação das ditas fotografias. não façam confusão, há muito ilustrador que as usa na própria composição, e não vem mal ao mundo por isso, aliás, na nossa imprensa os exemplos abundam, dos agenciados pela who até consagrados em nome individual. sucede que a minha técnica é outra, naturalmente se quiser retratar figuras públicas olho para elas no google, e vou traçando. mas é como vos digo, apareçam. as bolachinhas ficam por vossa conta. só não tragam o editor in chief da tribuna, a ver se o lanche não azeda.

DA said...

Os comentários sobre a utilização das fotografias para o trabalho artístico são completamente despropositados, Pedro.
Tem toda a razão para estar indignado e devia levar o assunto bem a sério.
Neste país, toda a gente pensa que é "um bocadinho assim" mais esperta que os outros...

José Luís Espada Feio said...

Código Penal - Capítulo II - Dos crimes contra a propriedade - artigo 203º (furto)
1 - quem, com ilegítima intenção de apropriação para si ou para outra pessoa, subtrair coisa móvel alheia, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.
2 - a tentativa é púnivel.
4 - o procedimento criminal depende de queixa.

Animal said...

ninguém me tira da cabeça caquele boneco do camões que tu fizeste num foi decalcado duma fotografia do gajo que saiu na Caras. a tua sorte é que os herdeiros do gajo são magnânimos (ou tesos para contratar um advogado) e não te processam.

intruso said...

Inadmissível!

LAM said...

uma coisa é a apropriação de uma imagem para reconstruir uma outra, eventualmente até com significado e leitura diversa do original. a Arte está cheia desses exemplos e o de Warhol é só mais um e nem dos mais significativos.
Outra coisa completamente diferente é a apresentação de uma imagem de um autor, sem pretensões artísticas (a citação), sem autorização prévia do autor da mesma. Imagens, textos etc. Isso é crime aqui ou em qq parte do mundo.

Isabel said...

Talvez pela DECO a queixa não fique tão cara. Valia a pena tentar, Pedro.

Anonymous said...

O que te falta caro amigo é passares mais algum tempo em Odivelas. A justiça é cara, não está ao alcançe de todos. Estes problemas, entre portugueses civilizados, resolvem-se com uma espera e uns quantos murros nos cornos. Ou bengaladas se preferirmos os clássicos mais mundanos. Assim, para a próxima, o sorriso será mais franco. Se ponderares seriamente este conselho tens o meu número!

blue said...

uma vergonha. antes de iniciar uma acção judicial, vale a pena enviar uma carta à editora, com aviso de recepção, se possível escrita por um advogado. normalmente, não é preciso muito mais, pois nenhuma editora quer pagar as custas de um processo perdido à partida.

Luis Eme said...

infelizmente neste país vale tudo.

não são as editoras que pagam uns tostões a uns escritores fantasmas para escreverem em nome de algumas figuraças públicas, que até acreditam que são mesmo escritores nas sessões de autógrafos?

a febre do dinheiro é pior que a gripe A, e não tem vacina...

Ricardo Machado said...

Pois é Pedro, foste vítima desse usual método da nossa praça que é o "sacar", muito comum em editoras, agências de publicidade e afins. Percebo perfeitamente a tua indignação pois já fui mais que uma vez vítima desse procedimento sem poder fazer grande coisa, a não ser assistir mais ou menos impávido. Aliás, enquanto trabalhador em agências, já fui vezes sem conta "ordenado" a executar tal acto, para bem do rápido procedimento e eficiência da agência, isto sempre com "avisos" da minha parte, claro está. Um acto mesmo muito comum... Não deixo de considerar uma óbvia sacanice, essa do sacar.
As referências gráficas nunca serão consideradas plágio quando, são usadas para uma base de trabalho ou são alteradas a tal ponto que por mérito próprio se tornam elas mesmas uma nova obra. Um bom exemplo dessa fina fronteira é a conhecida ilustração de Obama pelo artista Shepard Fairey. O teu caso é completamente diferente, pois é uma inserção de um trabalho teu, completo, sem adulteração num trabalho de paginação de uma entidade a ti alheia e sem teu conhecimento prévio.
É um mau hábito difícil de perder, infelizmente.

Núncio said...

Eu aceito o seu convite, Pedro.
Gostaria muito de o ver trabalhar.

isabel mendes ferreira said...

...em estado de verdadeiro espanto.


sublinho a sugestão da Blue.



abraço.

Mad Bad Bud said...

Caro Pedro Vieira,

Já indicou que não sente qualquer motivação para referir a fonte dos seus trabalhos, pelo que a questão colocada pelo primeiro comentador e que eu subscrevi se encontra assim respondida.
Bem haja e obrigado pelo convite.

>Bud

Ricardo Cabaça said...

seja como for, é sempre um atentado aos direitos de autor e esses são apenas do autor. Qualquer uso deve sempre ser do conhecimento do autor, com o seu consentimento, e de preferência, com a remuneração adequada. Em Portugal existe o terrível hábito de considerar o artista, aquela criatura estranha, como um ser anoréctico, como alguém que não precisa de comer, logo, não precisa de pagamento.
Isto tem de acabar.

menina limão said...

Para que saibas que te acompanho no espanto e na indignação. É vergonhoso. Naturalmente, estou solidária.

ana said...

Não acho mesmo nada correcto o que lhe fizeram, nada mesmo. Falta de carácter até. Não há uma Sociedade Portuguesa de Autores para estas situações?

Texto-Al said...

processa-os.

Rui Pedro Lérias said...

Não se fique, mas não processe.

Apresente a conta. Por correio registado.

Quem cala consente. Mesmo que depois resolva não avançar com acção. E seja generoso consigo, dentro do razoável, na conta que apresenta. Mas apresente.

Não se fique.

Anonymous said...

Como se faz uma ilustração de alguem morto, digámos, ha cem anos, a não ser através de uma fotografia? é claro que podemos sempre inventar e fazer uma ilustração do julio cesar absolutamente ao sabor da imaginação. embora possamos usar um dos bustos do dito imperador romano feito pelos contemporaneos. Será isso também plágio?