tropeçar

não é por um gajo ser assalariado num shopping center que se deixa de ter monumentais embirrações de escritório, quer dizer, há tipos que fodem os nós dos dedos a martelar na fotocopiadora que não colabora, mais a roupa da Vanessa que irrita a Cátia Sofia, e a bilha de água que está sempre no fim, mais a impressora que só funciona ao biqueiro ou quando o senhor da manutenção vem mostrar o torso semicoberto, semibronzeado às coquettes libidinosas com tops comprados nos saldos a 3,90, boas oportunidades, hora encosta-cola light, por aí fora, e na minha especificidade, assumindo que tenho legitimidade pública para utilizar palavreado deste calibre, até já tenho sido enxovalhado por escrever toponímia ou jaez, armado em jaquinzinho de corrida já que o carapau é bicho demasiado corpulento, lembra gordos e arremedos de microcapitalismo e eu até estou de dieta, enfim, escrevia, dissertava, sobre embirrações, no meu caso certos e determinados livros que se passeiam como que possuídos por uma vontade própria, ou ajudados por duendes da administração do shopping, ou manipulados por clientes que testam a fibra e determinação do balconista/repositor, e estou a pensar no canhenho a loucura da normalidade do Arno Gruen, que está sempre a cabriolar debaixo das minhas barbas, quer dizer, das minhas peles rubicundas já que eu barba nem vê-la, mesmo com o frango assado que comi durante a fase de crescimento, hormonas e o caralho, e o Arno, atrevo-me a tratá-lo assim, passeia-se com inteiro à-vontade, goza o prato, está em todo lado, nas mesas, nos carrinhos de transporte de livros, nas traseiras do balcão, mesmo que não se venda parece estar sempre a ser reposto, uma cornucópia diabólica de consignações disposta a torrar a mioleira do funcionário, aquela merda mete o duplo do Borges no chinelo, mais as ambiguidades masturbatórias do Lynch e outras impossibilidades, a loucura da normalidade está mesmo em todo o lado, mesmo que sucessivamente o arrume, o entale na secção, o ignore, o sacripanta rabia mais do que é eticamente aceitável, alguém devia trocá-lo por uma bandeira da monarquia e escondê-lo, mesmo que engomado, por uns tempos. eu ofereço a máscara do darth vader, vá. vá lá.

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