transferência de titularidade

derivado à (atenção, está mesmo aqui escrito derivado à, com contracção de artigos e o catano), dizia, derivado à minha necessidade de mudar os tarecos, em virtude de ter vendido a minha casa e de o banco santander ter-me comprado outra, porque verdade verdadinha é que eles é que mandam nisto, eu limito-me a transportar molhos de chaves, precisei de ir trocar a titularidade dos serviços da água, luz e gás, mas pela ordem inversa, primeiro fucei direito à lisboagás na loja do cidadão dos restauradores conhecida como a maior salada de frutas étnica da cidade, ali até o martim moniz parece uma vila escandinava, loja essa onde até acabei por encontrar uma criança que era a cara chapada do evo morales, e não digo isto por ser amigo da extrema-esquerda, era chapadinho, o pai era mais fucile mas o puto, caralho, parecia acabado de sair de uma vitória andina com maioria absoluta, sócrates eat my shorts, e com o gás correu tudo muito bem, obrigado, hão-de marcar ainda uma inspecção que custa 37 euros em cash a liquidar no dia da mesma, uma metodolia também conhecida como "manuel godinho", e a seguir de certeza que me vão encontrar uma cascata de fugas perigosíssimas, aliás, hão-de haver mais fugas naquela casa do que boiolas a gostar de madonna, já estou mesmo a ver o filme, quer dizer, o teledisco, mas diga-se que a moça era mesmo atenciosa e diligente e tinha a farda imaculada, posto o que me dirigi à edp para alterar a tal ttitularidade e pedir mais potência, I just can't get enough, tanta que agora até já entrei no patamar do mercado livre da energia, no fundo adam smith nunca passou de um posto de transformação, o que significa que a luz me será fornecida pela edp5d, uma super-entidade que até oferece bilhetes de cinema além de pujança necessária para ligar o secador de cabelo e a máquina de lavar roupa ao mesmo tempo, uma estruturaque tem gajos simpáticos e despachados no atendimento, com as fardas aprumadas, um mimo, o que fez com que eu não estivesse preparado para o que me esperava na epal, que é logo ali, do outro lado da avenida, entrei e o sistema de senhas estava avariado, fui para uma sala de espera onde permaneci o tempo equivalente a quatro atendimentos na lisboa gás ou cinco na edp (o moço teve de me explicar a dinâmica das promoções e dos bilhetes de cinema), situação que me permitiu perceber que ali não ia ver os dentes dos atendedores, cenho franzido, moças com camisolas de meia gola e calças deslavadas e cara de frete mas frete daqueles mesmo longos, digamos, um roterdão-kuala lumpur ou uma merda assim do género, e lá acabei por ser atendido por um mocetão trajado a giovanni galli desbotado, voz de trovão e sotaque capaz de fazer o jorge jesus passar por menino das avenidas novas, mais o léxico do colega do lado todo ele bigode e brilhantina a garantir que há clientes que tentam "atirar o barro à parede" para conseguirem fazer passar ilegalidades, tudo saborosamente eighties, eu ainda fiz um compasso de espera na esperança de ver entrar os modern talking pela porta por onde aquelea mata sai para tomar café mas entretanto o meu interlocutor já me estendia a cópia do novo contrato e um bilhete grátis que permite visitar o aqueduto ou o museu da calçada dos barbadinhos ou o reservatório da mãe d'água, ainda por cima válido para duas pessoas. epal, you're my heart, you're my soul. ou não.

15 comments:

Shyznogud said...

Há uns q são filhos e outros enteados, tu vais pagar 37€ e eu paguei, há 1 mês, 50€ pelo mesmo serviço a q propósito, explicas-me?

LAM said...

depende sempre do tamanho dos robalos.

Animal said...

eu cá não pago nem um centimo, mas deve ser derivado a não haver gás de cidade aqui no bairro do bom pastor. aqui ainda há esperanças de ver a menina da bilha a passar na rua...

Anonymous said...

quando vierem visitar o museu da calçada dos barbadinhos, que fica na rua ao lado da minha, digam qualquer coisinha. R. (das três)

Anonymous said...

A culpa foi do comandante dos bombeiros da Carapinhata de Baixo quando disse nos idos de 2003, bem aprumadinho na sua farda, para os microfones de não sei que canal de tv, que o fogo alastrara "derivado à acção das rajadas de vento que sopram na região". Eu até já lhe perdoara o facto de a sua equipa estar a "implementar os meios necessários para o cambate", mas a coisa foi demais. Perdi o humor para derivações daquele quilate, e é devido a esse trauma antigo que cada "derivado a" é para mim como unha na lousa. Mesmo quando é "boutade". Perdoem

Cachecol do Pintor said...

heheheehhe

LAM said...

anónimo, não se diz "cambate". É combate, c o m b a t e.

Anonymous said...

Obrigado, LAM. Mais uma palavra que aprendo a escrever correctamente hoje

marta morais said...

E eu aqui convencida que se dizia era derivado de, ai o que nos vale são estes blogs dos intelectuais ca malta assim sempre aprende qualquer coisa, prontos.

LAM said...

ora essa, não estou aqui para outra coisa.

Animal said...

a gente aprende coisas derivado a ler blogues

pedro vieira said...

aprende porque este é um daqueles blogues dos antelectuais

Anonymous said...

Prontos

Capitú said...

Bom, eu cá cheguei ao fim do texto sem fôlego!

Filipa said...

O post todo tem duas frases. Sim duas... É incrível! E tive eu uma professora de Português qe se queixava que não fazíamos paragrafos e descontava dois pontos por cada palavra "vulgar" (usou, utilizou, dita, ditou, citou, citado, extremo, extremamente, etc, etc, etc...)