eu sei que já se passaram uns dias mas aqui fica o imprescindível apontamento sobre a inauguração da nova livraria babel ali à antónio augusto aguiar

um dia ainda me alcunham de perdigueiro, tal é a minha propensão para farejar as vidas dos outros, sobretudo se forem públicas e acompanhadas de cocktails e acepipes do vitor sobral, pela minha rica saúde, aquele senhor encavalita muito bem enchidos sobre pão arraçado de broa e só cobra duas mãos-cheias de euros por um prego e uma imperial no seu barraco em campo de ourique, uma pechincha mesmo em tempos de baixa cotação junto das agências de rating que terão estado afastadas da nova babel, coitadinhas, caso contrário teriam de dar nota Standard à beautiful people possível e Poor's à escolha de livros encavalitados em andaimes; gravatas e tábuas rudes em partes iguais, os primeiros dão gabarito a qualquer festa, as segundas poderão ser o pesadelo dos livreiros lá do sítio se algum dia tiverem de movimentar os canhenhos de um lado para o outro, mas talvez não tenham de fazê-lo se a rotação for baixa e a escolha continuar limitada aos editados pelo grupo, agustina e noddy (por enquanto), aristóteles e detective maravilhas, pessoa e buffy, por aí fora.
lá pelo meio também balançavam outros livros, pendurados em ganchos, e um ou outro exemplar das viagens na minha terra com vampiros, mais uma pérola lançada a cavalo no sucesso da stephenie meyer, qualquer dia vamos à praça e até as pencas e brócolos têm caninos afiados, enfim, para não destoar do ambiente de terror juro por todos os santinhos que a minha antiga professora de geometria descritiva estava na inauguração, abrenúncio, e eu todo a suar frios, a lembrar a linha de terra e a intersecção do plano alfa com o beta, a intersecção do jorge de sena com a sabrina, a bruxa adolescente, cada um tem as fantasias e efabulações que merece. concreta, concreta, foi a presença de um conhecido homem do gadanho que já tive ocasião de surpreender noutras circunstâncias do retalho livreiro e a quem vi sair abastecido enquanto o povo aplaudia os responsáveis do grupo que discursavam alheios ao amigo do alheio, passe a redundância, nada como filar uma livraria acabada de inaugurar, é de ladrão bem informado do agenda setting, o que é de louvar, e quando a maralha abriu espaços também lá vi pelo menos um par de irmãos lobo antunes, que engalanam qualquer evento, e um conhecido catedrático marxista, e um daqueles aparelhos que fingem ter livros lá dentro, e um cubo tecnológico do qual me mantive prudentemente afastado já que tenho tendência para deixar cair/danificar tudo o que é electrónico, o telemóvel, o ipod, a boneca insuflável, pus-me antes a mirar o bar que dá para o centro de arte moderna e os convidados que se passeavam com o diário económico, que por estes dias acerta quase tanto como o almanaque borda d'água. uma agitação. nesse mesmo dia, mais à noitinha, o grupo porto editora/sextante/lisboa editora/areal editores/bertrand/quetzal/mestre maco/malhas tiffosi lançou o Submundo do Delillo. menos acepipes, menos gravatas, mais literatura. uma jornada em cheio.

9 comments:

J. said...
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J. said...

Ora aqui vai outra vez o comentário, desta vez, sem erros se tudo correr bem... o impacto não é o mesmo mas o texto é:
Tenho sempre vontade de me levantar e bater palmas no fim destes teus textos(aproveito a correcção para substituir a terceira pessoa pela segunda, se não nos conhecemos também não nos ofendemos). Provavelmente porque te imagino a dizê-lo com a força que a falta de pontuação dá à coisa. Não é ironia nem crítica destrutiva (foi aqui que me escapou o pé para a chinela - 3 erros numa só palavra. Adiante).
Bis, Bis.
Não tem punch line, mas é sentido.

Animal said...

só acho que a reportagem está imcompleta, pois não fazes a recensão dos croquetes...

Animal said...

"iMcompleta"... definitivamente, já aderi ao acordurtugráfico.

Anonymous said...

Noticia de Última Hora:

Fontes seguras confirmaram que o famoso "homem do gadanho" ou "seareiro com foice alheia" (é mesmo assim) foi hoje interceptado/visitado pelo Anjo da Morte (livreiro babélico)numa das livrarias da Babel. Depois de 2 ou 3 frases muito líricas seguidas de uma expressão"tás aqui tás ali" o ladrão saiu da livraria pálido e desanimado. É uma livraria a menos para larapiar.

Sérgio Lavos said...

Oh pá Vieira, o que é que te custa publicares este tipo de maravilhas lá no Arrastão?
E atenção que não estou armado em controleiro, os textos merecem é outra visibilidade e/ou comentários á moda do Arrastão.

pedro vieira said...

ay caramba, já encarnaste o daniel

Sérgio Lavos said...

isso é que não, isso é que não, até porque sou muito mais atraente.

LAM said...

Sérgio Lavos,
consta que o gajo está, como o outro, à espera de uma vaga de fundo.