no fundo é isto



vai não volta recebe-se o chamamento. e nessa altura, ala. até domingo, se encontrar pistas sobre o freeport trago-as comigo, palavra de engenheiro.

love lockdown



este preto está feito um romântico do caralho, e com classe, como quem oferece canções que são pratinhos de barro com a inscrição deus te dê em dobro o que desejas para mim mas desenhados pelo armani e não pelo tó mané, mas vendidos na madison avenue e não na feira da luz. e até lhe perdoo a digitalização da voz, mesmo sabendo do precedente lançado pelas antilook, agremiação de moças da passerelle à portuguesa em formato discográfico, cujo talento passava mais pela copa dos soutiens do que pelos dotes musicais strictu sensu. é aliás a primeira vez que esta expressão latina é aflorada no irmaolucia, notem bem como este pardieiro grita por um grama de honorabilidade, foda-se.

um dia Israel também me foderá o telhado sem piedade

alguém entrou no irmaolucia procurando no google por "keffieh".

cuidado com as companhias, carlos jorge

o movimento/partido/qualquer coisa da laurinda alves anda a seguir-me no twitter.

adeus, Coelho

© rabiscos vieira

john updike, 1932-2009


do livreiro enquanto profissão que repousa entre a espada e a parede # 21










graças à minha qualidade de balconista hoje atendi e conheci Alípio de Freitas, homem que pagou na carne a ousadia de questionar a ditadura brasileira. e a quem o Zeca Afonso dedicou uma canção que indirectamente ajudaria à sua libertação. há dias assim, cheios de sentido.

mÚSICA & dESIGN


os violinos de chopin, uma prequela


esqueçam o manhattan, a anna e suas irmãs, o clarinete e a genialidade


© rabiscos vieira

este é o homem que enrolou a scarlett com a penélope. os outros, roam-se de inveja.



já estou como os radiohead, everything in its right place

Liga: Vitória em Braga consagra FC Porto "campeão" da primeira volta


itinerário complementar

com a Varandinha encerrada para obras e sem a fleuma do senhor Madeira ou o bailado garrido do Carlitos para me servirem o café sigo para o snack-bar Picota, uns metros à frente, que também serve refeições nas suas parcas mesas, hoje um pai de alheira em riste almoçava com o filho que contemplava a omelete com um ar acossado, sem encarar o progenitor de frente, como quem teve não satisfaz no teste de Irrisão e Moral, mais o homem nascido em mil nove e setenta e que se recorda da gabriela, cravo e canela e do dancing days e do pai herói, "esse já era a cores" garantem os interlocutores, outras épocas, que é como quem diz, modernices, e entretanto chega um cego que me empurra para chegar ao balcão onde há-de estar a sua garrafa de água da vialonga, mais o Chalana que bebe o copito encostado ao fundo e eis que entra o Ricardo, espalha-brasas do Cartaxinho, "arranja-me aí o birinaite, que é para ganhar pujança" diz ele franzindo sobracelhas e cumplicidades, não estou certo que me tenha piscado o olho, e eu acredito, "hoje os pratos até voam", também acredito, fala nas gajas da formação que tem atendido todos os dias, imagine-se, devem passar das mãos do powerpoint para as garras deste pinga-amor, que quando fuma diz que vai cacilhar, outros léxicos, e faz que sai, eu vou acabando a bica e ele, imediatamente antes de ir embora deixa pago o copito do Chala, mas de boca, pois não tem dinheiro que chegue, e o visado diz "obrigado rapaz". obrigado eu, se não se importam.

se os eua têm 1 presidente preto, porque não o sol tb?

mão amiga que trabalha para o semanário escreveu-me esta deixa no gtalk a propósito desta notícia. e fê-lo com mestria.

Ruca quer pôr a economia a um nível que as pessoas entendam

a crise é tão ou mais profunda do que o decote da menina do preço certo. em euros.

mÚSICA & dESIGN


por mim forrava um autocarro com isto


amores imperfeitos # 164

Sandro tece rasgadas loas à cidade de deus de santo agostinho, Carina estranha que nos primórdios da idade média já houvesse tanto pretinho com revólveres.

acções promocionais

noutros tempos colocar vacas na praça de espanha era criar um grave incidente diplomático.

punk's not dead

o plano de edições da imprensa canalha pode ser visto aqui.

é preta, é americana e exsuda uma forma bonita de saudar o obama. entre outras



o joão aguardela



não há volta a dar, a notícia do desaparecimento súbito do joão aguardela marcou o meu dia, mesmo sem nunca nos termos cruzado, sem nunca o ter conhecido cara a cara. o que se passa é que o aguardela marcou o meu crescimento, sobretudo com os sitiados, e a mágoa aterra onde menos se espera por via das canções, das empatias, daquilo a que se assistiu, pulou e trauteou, mesmo que em registo biqueirada e de andar o mosh, mas sempre com muita ternura. o disco homónimo saiu em 1992 e eu conheci-o através do programa do henrique amaro na nrj e o dito apanhou-me de estalo naquele que foi um efeito surpreendente em plena efervescência adolescente – ao mesmo tempo que assistia a concertos dos corrosão caótica e dos tropa morta deliciava-me com o balançar do rock e folk à portuguesa, o london calling a competir com a pérola negra, e a miúda do acordeão que até andava na minha escola secundária, e as boas recordações que vêm dessa altura, o 1º de maio de mil nove e noventa e três na alameda, com rapaziada a potes deliciada (não tenho queda para adjectivos) com o carvalho da silva imediatamente antes da entrada em palco da trupe do aguardela, e depois aquela ocasião na amadora, naquele jardim com uma estátua do zeca afonso, plantada quando a porcalhota era de esquerda, e o povoléu a vibrar, os próprios sitiados haveriam de glosar o zeca anos depois, através da formiga no carreiro, e mais tarde a loucura à torreira do sol no demolido estádio josé de alvalade por ocasião do festival portugal ao vivo, em que os sitiados abriram as hostilidades e os xutos levaram ao palco três strippers, imediatamente antes de se transformarem em mobiliário institucional.
seguiram-se o projecto megafone que conseguiu pôr o giacometti na pista da discoteca e nos palcos secundários da expo 98 e a linha da frente, que conheci de relance, até reacender à séria a minha atenção com a naifa, sobretudo com o disco 3 minutos antes da maré encher, que adoro. vi-os em palco na festa dos comedores de crianças ao pequeno-almoço de 2007, interpretaram aquela do soldado soviético sem medo da assistência potencialmente adversa, o aguardela mais charmant do que na altura das guedelhas compridas, e agora foi-se, vítima da doença que me dá calafrios. sem armar ao especulativo-sentimental acho que posso dizer/escrever que viveu para a música portuguesa, que vai deixar saudades, que me vai fazer procurar em casa da minha mãe a cassete onde tenho gravada a estreia dos sitiados gravada a partir de um vinil, uma tdk preta, da cor do luto. quanto a isso acabo como comecei, não há volta a dar.

em stereo

Poe, 200 anos

© rabiscos vieira


joão aguardela 1969-2009



ainda estou gelado com a notícia



eu hoje acordei assim, a pensar que os tv on the radio também têm direito a ser groovy, e a ser pretos, desde que não vivam na amadora












em caso de dúvida pergunte-se à psp

conservadores ma non troppo

suponho que o cds tenha marcado o congresso para as Caldas com a intenção de organizar um evento do caralho.

vem aí o herberto todo

© rabiscos vieira



mÚSICA & dESIGN


sarilhos com que nem Alá sonha


na cama com policarpo, conselheiro matrimonial

© rabiscos vieira



ainda o tal debate

depois de duas horas e meia de batalha verbal reduzi-me à frustração de ter lançado uma pergunta olimpicamente - e tratando-se da grécia não encontro melhor advérbio de modo - ignorada pela mesa com uma honrosa mas breve excepção. também quem me manda falar em partidos quando estamos num debate sobre vitrinismo? seja como for vim para casa com uma informação lateral, daquelas que eu gosto: o estoril praia tem uma claque de esquerdistas, "mitras de carcavelos e do hip-hop", nas palavras de quem sabe. e quando o confronto é com o belenenses os ânimos exaltam-se especialmente. sabendo-se que o casino não tem a história de um parténon este é o clássico a que temos direito. no estádio da amoreira, claro.

mÚSICA & dESIGN


shut your mouth and enjoy, tal como o oliveira e costa


hoje todos à pó dos livros, sem esquecer os cocktails molotov

© rabiscos vieira



amores imperfeitos # 163

Sandro tece rasgadas loas aos 400 Golpes, Carina acha esquisito que se façam filmes sobre a carreira do bruno pidá.

era ontem e há 61 anos

© rabiscos vieira

estimular a economia

estive com certo e determinado indivíduo a assistir ao entronizar do cristiano fode-ferraris-como-quem-come-pistachios ronaldo e íamos esgotando o stock de minis. porque as médias foram chão que deu uvas. ou cevada, vá.

so give me keffieh and tv

e eis-nos encharcados de keffiehs pop, keffiehs de pacote, à dúzia, multicores, nos barracos defronte das paragens do colégio militar, nos chineses, e nos outros mais galantes, e daí esta micro-crónica, ao sabor do keffieh, vocábulo muito parecido com aquele que dá nome ao fungo caseiro que faz iogurtes mas isso é outra loiça, o keffieh, tenho um preto comprado há dúzia e meia de anos no extinto centro comercial da estação de comboio do rossio, que tinha uma grande loja de discos - a torpedo - e casas de banho que fazem inveja às de gaza, mesmo em 2008, e depois comprei um vermelho em mil nove e noventa e seis, vindo directamente da cabeça de um tunisino condutor de caleches para as minhas ventas e pescoço, razão aliás pela qual me constipo tão poucas vezes. a aura do esquerdalho esvaiu-se e ontem dei por um keffieh a servir de base a malas da misako. o arafat, se não o tivessem enterrado em ramallah, parque infantil israelita atafulhado de pedras, havia de dar voltas na tumba. havia, havia.

mesmo aos 80 ainda há malandros a querer achincalhar a efeméride

© rabiscos vieira



do livreiro enquanto profissão que repousa entre a espada e a parede # 20

por acaso tem as noites de loucura em brooklyn do paul auster?

respondi que não, que não me meto assim na vida das pessoas.

os fleet foxes, um dilema moral


ando há dias para escrever um post sobre os fleet foxes, coqueluche das listas do ano mas que não me sudezem a trompa de estáquio como deve ser, e olhem que eu até tenho sido useiro e vezeiro nos preliminares. e andava a adiar a prosa por uma razão prática que importa, quer dizer, o meu chefe gosta imenso deles e tal, e tendo em conta que há um gajo com poder discricionário sobre a minha vida a emular estes amaricanos eu devia fazer pianinho e fingir que nem os conheço mas a moralidade empurra-me para o precipício, é da formação cristã vincada, e notem que eu até parti para esta demanda de boa fé. o disco dos fleets até vem bem referenciado, número 1 na lista da pitchfork, parte integrante da lista de melhores do ano do ipsílon, onde escrevem gajos que eu respeito e sigo, gajos entre os quais, aliás, militam dois indivíduos que têm um óptimo toque de bola, garanto-vos, e um até é canhoto como o el pibe. ou como o laurent robert, vá. sucede que esta folk reciclada me dá comichão, boas vibrações e coros com reverberações de fundo do poço, não gosto, da capa a partir de bruegel o velho já gosto, dos versos solarengos não gosto, Come down from the mountain, you have been gone too long
The spring is upon us, follow my only song
, está bem, até simpatizo com passarinhos e flores campestres e o caralho mas não abusemos, e depois a referência velada ao fernão capelo gaivota, isto sem sequer mudar de faixa – In the morning tide when the sparrow and the seagull fly – convém não abusar, para a próxima vejam lá isso. eu entretanto vou ver se acho o telefone do centro de emprego do conde redondo, é capaz de me dar jeito, assim a modos de alguém que à beira do abismo e que insiste em dar o passo em frente, sábias palavras do trolha joão pinto que eu folgo muito em seguir. ou não. ou não.

em stereo

amizades imperfeitas # 87, especial médio oriente

Sandro é um fã incondicional de huxley e do seu sem olhos em gaza, Ruca acha que já lhes vão faltando outras partes do corpo.

gazpromblems

© rabiscos vieira



e nem sequer faz referência aos morcelões com tamanho de um bracinho de criança que por lá abundam, abundam

Desde criança que os pretos me atraíram, principalmente por ver os seus olhos tão tristes! O desejo de lhes ir dar um raio da minha alegria entusiasmou-me e vim.

in Pimentel, Irene Flunser Mocidade Portuguesa Feminina, pg 97, edição Esfera dos Livros

cada um tem o glamour que pode. ou que merece


hoje, ali para as bandas da Buraca, voltei a ser confundido com um dos sete palmos de terra.

quem pensava que a CIA só servia para vestir e calçar o Carlucci, desengane-se

© rabiscos vieira




provérbios de Ruca

no papar é que está o ganho.

mÚSICA & dESIGN


pretty woman, walking down the street


à espera no centeio, a ver se o autor dá um ar da sua graça

© rabiscos vieira

dobrámos o ano e de fininho JD Salinger dobrou os 90. um abraço ao mais eremita dos americanos, claro.


arrastão on the radio

eu e o pedro sales vamos estar hoje às 23 no rádio clube – 104,3 – a dar uma visão arrastada da realidade. pobre país, pobres ouvintes.

ao balcão, do lado de cá

no café que fica paredes meias com uma funerária e defronte a um hospital há uns croissants de rilhar o dente e chorar por mais, e eu debicava o meu ontem ao entardecer, na minha sexta-feira, é assim o calendário de um proletário por turnos, e lia com atraso de um dia a crónica de frei bento domingues, já que no dia anterior tinha sido domingo, que é como quem diz, quinta. mas eis que a conversa lateral me levanta os olhos do canhenho da sonae, o empregado dos óculos dizia é cortar por aqui, e simulava uma lâmina à altura da canela, daqui a dez anos esta parte toda, daqui para baixo, já foi para o galheiro, acontece muito por altura dos cinquenta, um gajo nesta vida está sujeito, só eu conheço três que foram imputados daqui para baixo, todos da indústria hoteleira, um gajo nesta indústria não se safa, o que vale é que agora fazem aquelas pernas espectaculares (balança, balança), que um gajo até faz corridas na pista (saltita, saltita), houve um que até tentou ir aos jogos olímpicos, garante o interlocutor, pois, um gajo há-de safar-se, pode ser que não aconteça, assevera o outro, olha, seja o que deus quiser, desde que um gajo não sofra. e eu a acabar de ler o frei bento que escreveu o melhor que nos pode acontecer em 2009 seria a perda da fé naquilo que nos perde nem nunca nos poderá salvar. falava do capitalismo mas eu já só pensava na gangrena.

2009 e os fígados já batem palmas

Ao segundo dia do ano uma singela volta pelo meu bairro mostra que nada mudou, que os pontapeadores de fígados do costume não perderam o vício, nem o tino, continuam a cirandar pela rua principal num delicado slalom-entre-tascas que nem o sebastien löeb arriscava. Dos muitos que aqui medram há três de quem gosto muito, e a quem avistei hoje: o velhote com uma verruga em forma de bola de ténis que ameaça soltar-se a todo o momento, indivíduo a quem o copo de branco carrascudo garante mais equilíbrio do que o par de canadianas com pegas coloridas; o "chalana", indivíduo de quem ninguém parece saber o nome, sempre com a calça do obrame manchada de salpicos barbot e com os olhos encovados, muito miúdos, muito brilhantes lá no fundo das ventas inchadas, assim como aquele moço d'o covil do kafka mas com mais confiança na vida. Ou pelo menos no alambique. E o outro, o dos óculos, bigode e mochila, voz de rádio e fígado da vialonga, onde se produz uma óptima água com gás engarrafada depois de embebida em cevada. Este é o meu favorito, afinal trata-se do homem que aqui há atrasado, em plena cervejaria "o cartaxinho" afirmava ter duas colunas - uma, a cervical, e a outra, que padece de duas hérnias (sic). Cá no bairro, novo só se for o vinho, isso do Ano foi chão que deu uvas, que alíás, nunca serão as suficientes.

texto estreado no grandiloquente sinusite crónica

lisboa em baixa resolução # 203


até dá saudades dos dias de greve


amizades imperfeitas # 86

Sandro elege como avanço civilizacional de 2008 a vitória de obama, Ruca tem pena mas já tinha votado no enrabanço do moretti.

contranatura

esqueçam os casamentos gay. esquisito é comer, mais do que beber, por ocasião do revelhão.