perdoai-me senhores, pois eu não sei bem o que faço

estive a reler os últimos posts e reconheço um resvalar para o estilo surreal-crípticos. este é então o primeiro blogue que troca jekyll and hyde por reininho e octávio machado.

agora que o pacheco pereira introduziu o conceito de dinamite cerebral

posso falar com à vontade do meu rastilho curto. afinal, foi o que deus me deu.

greguerias, o verão, a gramática defeituosa

água gelada chega aos tomates. lembro-me do verbo procrastinar.

já há notícias sobre a publicação de novas biografias relativas a michael jackson

espero que nenhuma escolha o título "o lado negro da fama".

depois ainda se queixam da baixa taxa de natalidade e o caralho

uma coisa é certa: as embalagens de protector solar dotadas de spray diminuem a pique o erotismo nas praias e derivados. desgraçadamente, aquilo espalha-se com uma facilidade que até enerva.

o caminho, animais, quilometragem

duas ou três notas sobre o êxodo de lisboa, desejado mas sem a juda de um mar vermelho dividido como um penteado à paulo bento, potenciado apenas por uma A2 que pulula de referências mesmo que pobre em veículos, a saber, poucos quilómetros depois de iniciada a viagem deparamo-nos com uma placa que anuncia as obras de alargamento do troço de coina, uma miséria, quem é o sacripanta que desdenha a coina mais apertadinha, mais à frente os outdoors alusivos ao badoca park, e neste ponto lembro-me do leão do raul indipwo, quem terá tomado conta dele quando desapareceu o último ouro negro, e entretanto eis que passa uma carrinha de caixa aberta da gnr empenhada em empestar de fumos e excrescências a vida do transeunte, chernobyl ao largo de beja, está visto que aquela força da ordem desconhece a palavra "catalisador", entalada algures entre os vocábulos "capacidade" e "cérebro" do manual de instruções da Guarda, uma página muito pouco visitada dizem as más-línguas, as boas não interferem, trabalham no red light district, são emigrantes e tal, e à chegada à portagem do allgarve mais uma surpresa ilustrada: um cartaz da brisa incentiva a que respeitemos os outros automobilistas; para ilustrar a mensagem escolheram uma matulona loira que beija ostensivamente uma miúda preta vestida como se tivesse saído directamente do orfanato para a sessão fotográfica, naquela que é a mais espectacular manifestação semiótica deste verão em que a prevenção rodoviária dá as mãos à luta contra o racismo, passando pela promoção da adopção, prejudicada pela obsessão das garinas com o relógio biológico. tanta informação e a semaninha de férias ainda agora arrancou.

está na hora


postarei, mais perto do mar

e esta alusão a uma canção dos Anjos acaba de aniquilar qualquer resquício da minha credibilidade, que se lixe, já andava até mais desgastada do que a imagem do dias loureiro, do conselho de estado e do diabo a sete, ou mais.


publicidade institucional

irmaolucia, um quase blogue na terra dos quase romances.

pop less



1958-2009

Boris Vian, morto há exactamente 50 anos, convence-me a abandonar um canhenho do vasily grossman, tout de suite, entre outras coisas


© rabiscos vieira

Seria melhor aprender a fazer amor correctamente, em vez de nos embrutecermos com um livro de história

só privilegiados têm o ouvido igual ao seu, eu possuo apenas o que o Luis me deu # 4



ps: encontro-me de férias mas sem poder sair de lisboa por causa de situações tão fascinantes como a relação com imobiliárias, entre outros demónios. portanto não me chateiem muito os chavelhos com a falta de posts, de inspiração ou de tolerância e o caralho.

a regulamentação da curvatura dos pepinos sente-se menos só

acabo de saber que existe um dia europeu para a segurança em passagens de nível.

mÚSICA & dESIGN


dar embalo


Lucretia Divina



há um ror de anos assisti à final de um concurso de música moderna portuguesa em plena antecâmara das praias da caparica, um local com o Barbas em ponto de fuga e um palco que dava para o bar tarquínio, cheiro a sardinha, pseudo-pescadores com barbas mal raspadas e um sol castigador daqueles verões que eram a sério, tudo conjugado para assistir a diversas performances, entre as quais a investida tímida por chicotes e golas altas dos lucretia divina, mais a sua maria, suficiente para assustar os basbaques, consolar o meu coração adolescente e entregar o ceptro da vitória final à quinta do bill, anos antes dos malfadados filhos da nação e dos uivos ao manitu e ao raio que os parta. e eu desconsolado, como hoje, desde há muito que vou coleccionando fracassos, chamados maria ou outra coisa qualquer.

politólogos imperfeitos

Ruca não tem dúvidas, o que pode foder a oposição no Irão é o Represas dedicar-lhes uma cantiguinha.

arrastão goes musical tomo 2




que bem que me caiu no goto o disco de estreia dos OqueStrada, colectivo que palmilha terreiros e coretos, arraiais e salões de colectividade há coisa de sete anos, eles, que guardaram as pérolas mais ou menos longe dos incautos, folia escondida com rabo de fora, e agora lançam a rodela com o nome de Tasca Beat, arriscando uma salada de frutas muito borderline, entre o neurótico e o psicótico como manda a tradição, deitando para a gamela cantares, instrumentos e assobios de vários quadrantes e assim se faz uma alquimia do catano, refunda-se uma parcela da música à portuguesa, tecem-se loas à identidade a partir de uma guitarra dedilhada mas também sovada em registo flamenguito, quadras lisboetas e crioulo diletante, acordeão e um contrabaixo arraçado de pau de vassoura. E que produz som, diabos o levem e tragam.

Pelo meio faz-se a barba à chapada a um ou dois amores vigorosos, sopra-se nos metais, molha-se a sopa nas outras línguas, francês, castelhano, um ou dois ciganos aterram de soslaio sem ser para vender caldo-knorr-a-fazer-de-haxixe, glosa-se o billy idol (I kid you not) e as rotundas, Almada e o killing me softly, uma pitada de brasil, cabo verde e madragoa, há umas cordas em “eu e o meu país” a lembrar o al-andaluz, os terraços de beja ou os meus vizinhos da rua de santa marta, é possível modernizar o cancioneiro sem querer trazer as modinhas da amália para o trip-hop, para as vocalizações banhudas, homenagem ao estilo elefante em loja de porcelanas como uma ou outra que rodam por aí, glória aos fadistas, à hermínia, dizem eles, glória à OqueStrada, proponho eu, toma lá nota ó sam the kid, eles não querem ser os moonspell, não querem novos horizontes, mas aqui a tasca beat, é um granel , é quinta da fonte. E que bem que eu me dou com as rimas, foda-se. Então não?

em stereo



bom dia, queria só dizer que esta noite sonhei com os pavement, o que de certa forma pode classificar-se como um wet dream



rapariguinho do shopping

ainda o rescaldo da desdita do ps e dos elementos da direita pró-socretista - para usar as doutas palavras do eduardo cintra eu-sei-quem-matou-o-jfk torres - ao balcão do café paredes-meias com um wc (palavras para quê). uma lojista na casa dos vintes pergunta então dona ana, foi votar? e a outra retruca claro que fui, filha, e tu? e a jovem garbosa a dar o troco eu não, aquilo não me interessa para nada ao que a decana responde com um toda a gente devia ir votar e a rebitesga o meu pai também já me chateou com isso, diz que votar é um dever de todo o ser humano, e a dona ana é um direito, filha, um direito, e a moça também ia votar em quem, naquela velha com ar de desenterrada? e eu próprio não sei que conselho haveria dar à moça, aliás, desbasto os restos do café mais queimado que a serra de monchique (alguém dê um tiro de misericórdia à segrafredo, caralho) e venho para casa a pensar nas filas de iranianos desejosos de pôr o papelito na urna há um par de dias. alguns até se dispõem a morrer por ele, papelito. ele há coisas do diabo.

a chapelada


© rabiscos vieira


o partido pirata da suécia continua a dar cartas, mesmo à escala do nosso pequeno burgo



conferir no site da renascença; dica do imprescindível womenageatrois

gostar de monhés



mais um espaço pub (e sim, este blogue parece-se cada vez mais com a programação da tvi)



espaço pub


estes Assírios sempre me saíram uns beatos do catano


actualidades

Lisboa, cidade dividida entre os garimpeiros sociais que pagam o PIB de um país subsariano por uma espuma de castanhas e trufas, previamente fuçadas por javalis de reserva, ali ao eleven, restaurante que paga 500 euros de renda à câmara, coitadinhos, e o pic-nic com direito a xaropada tony carreira por parcos 5 euros, traga o farnel à bela vista, nós tratamos do p.a., backline e canções saídas da casa do terror como a que existia ali a entre-campos, isto se se desse o caso de ainda haver uma feira popular, que faz falta, proporcionava espectáculos mais dignos, alguns de borla, uma vez a minha irmã até assistiu à projecção de um indivíduo através da vidraça do Sesimbrense, toca selecta do frango na brasa e das sardinhas quase-vivas, um dos pratos que me apetece por estes dias, nem confitado de possidonites ao topo do Parque, nem panrico patrocinado pelo Modelo e Continente encharcado em Cantor de Sonhos.

É mais um de tantos dias
Em que choro o teu adeus?

é mas é o caralho.

salve-se quem puder

e por esta altura, vinte e uma e trinta e nove do dia da raça, como diz o kublai khan de boliqueime, passa um programa na sic, canal 3, aquele da sondagem tem-te não caias querido ps que ainda ganhas as legislativas, dizia, é na sic que passam imagens de um dos nossos humoristas, aquele com menos pescoço, e de uma moça que faz anúncios às chanatas seaside, ambos empenhados em conduzir um entretenimento no qual homens vestidos com papel de alumínio se digladiam com esferovites e piscinas interiores. à mesma hora, na rtp 1, fala-se sobre as maravilhas de origem portuguesa. eu já escolhi a minha, a dois cliques de telecomando de distância.

só privilegiados têm o ouvido igual ao seu, eu possuo apenas o que o Luis me deu # 2



as comemorações do 10 de junho tiveram uma grande virtude

obrigaram o moita flores a passar por santarém.

espaço pub em dia das comunidades e disso


ilustração para campanha "dia de Portugal" das livrarias Almedina


um desconsolo

só no facebook é que me convidam para cenas em grupo.

idiossincrasias do editorial à portuguesa

© rabiscos vieira

amanhecer de stephenie meyer e leite derramado de chico buarque lançados no mesmo dia, cortesia leYa. les bons esprits se rencontrent. ou não.

só privilegiados têm o ouvido igual ao seu, eu possuo apenas o que o Luis me deu

o blogger babado anuncia o primeiro de quatro posts baseados na vontade do Luis Afonso, cartoonista emérito e espectacularmente inconsciente, que quis postar no irmaolucia a sua visão muito particular de fátima, que não a campos ferreira,(o que é pena). há gajos levados da breca. e pensar que foi a tvi 24 que nos uniu.



amigos para siempre means you'll always be my friend o caralho

coisa feia é o psd conseguir uma vitória sólida e esquecer-se de agradecer aos euros-andaime da somague.

breves notas sobre as europeias

as lágrimas do portas, paulo, foram a homenagem possível às criancinhas da laurinda alves, o ministro lino saiu para ir buscar tabaco e não voltou (clássico), o cds ganhou ficando em 5º, a cdu sedou a ilda na noite eleitoral (estava serena e o caralho), a doutora ferreira leite come sanduiches, a marisa matias é bem melhor que a edite estrela, eu já transportei um recém-eleito deputado europeu depois de o mesmo ter esfodaçado o tornozelo num ringue da venda nova, o doutor melo terá a meritória tarefa de retirar o doutor feio dos ecrãs portugueses levando-o para bruxelas, os rapazes da jsd voltam a ter fé na central de empregos caetano à lapa. tudo isto é fado, claro.

espaço PUB


© rabiscos vieira

está aí a LER de Junho e eu com ela. as ilustrações até maio de 2009 já estão arrumadinhas e visitáveis no sítio do costume.

em Tirana

acabamos de marcar o 1-2 e alguém no banco de suplentes grita "foda-se caralho". a minha pátria é definitivamente a língua portuguesa.

editorial presença

saio do metro e um moço afoito e de arcaboiço e de gravata a balouçar quase esbarra comigo por nem sequer descolar os olhos do livro que traz nas manápulas, penso, alguém com quem posso ser empático, quem nunca marrou com os chavelhos num sinal de trânsito a cause das leituras em andamento que atire o primeiro guerra e paz, miro-o, ao gravatas, e a desilusão é instantânea, vem a lamber os beiços com os laços que perduram, nicholas sparks e o caralho, histórias de viúvas com mais pretendentes que a cláudia vieira em pelota, evitámos a colisão no último segundo, suspiro, alívio, tenho um medo desta gente que me pelo.

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Toy, a freguesia dos anjos, arraial. eu estou lá caído. ou não.


video killed the blogspot star

um país à beira do abismo está sempre pronto a dar um passo em frente. e vai daí gente do meu calibre, e pior, assalta os ecrãs de tv. é já amanhã ao meio-dia, no programa Sala de Imprensa da TVI24. depois admirem-se.

gostar de poesia só no dia em que o rei faz anos

© rabiscos vieira


I saw the best minds of my generation destroyed by 
madness, starving hysterical naked, 
dragging themselves through the negro streets at dawn 
looking for an angry fix




o calibre dos nossos heróis também se ressente com a crise

temos um compatriota que escapou à tragédia do airbus porque foi impedido de embarcar. tinha o passaporte caducado.

joana, maddie, esmeralda, a menina russa

no country for small girlies.

Teatro




gosto tanto de ter livros a marinar pela casa e de um dia pegar-lhes como que por acaso, um, dois ou três pares de anos depois de os ter comprado, como quem colhe umas bagas que há-de degustar com a cara contra o vento, esse, que traz memórias do oceano no campo de trigo, as mãos a acariciarem espigas, os mortos que se passeiam, foda-se, parece que sofri um encosto momentâneo do dylan thomas quando eu quero é falar do bernardo carvalho, homem que já me deu muito prazer, ai a reputação do blogger que se esboroa, o bernardo, o teatro, romance que me levou ao tapete (a reputação, etc), dividido em duas partes e com uma mestria no trabalhar das palavras de criar espanto. A primeira metade é um mimo de narrativa que se desenvolve sem deixar de andar em círculos, como se se progredisse numa daquelas rotundas tão estimadas pelos autarcas, sempre às voltas mas com vários sentidos e muito menos despesa em arte pública. E há um pretexto, um busto de Napoleão, que é o terrorismo. Na segunda parte vem o logro da contextualização, com um tapete que nos é retirado a míseros caracteres do final. E um gajo só pode agradecer ter sido transformado em cobaia mesmo depois de ver confirmadas as desconfianças criadas à cabeça, a saber, eu tenho um medo do caralho dos livros da cotovia, tanta sobriedade gráfica põe-me no lugar, eu que sou a dar para o espalhafatoso fico mirradinho perante tanta soberba monocromática que é todo um manifesto, se vens à procura de fogo-de-artifício vieste ao sítio errado, aqui não se facilita, molda-se o carácter, dão-se cursos breves e isso. Dizem eles nas entrelinhas e sobrecapas. Eu enfio a viola no saco, sei quais são os meus limites, se bem que o bernardo vai permitindo que eu os alargue, pedacinho a pedacinho (a reputação, etc). Ainda havemos de falar aqui na Odisseia, ou eu não me chamo carla vanessa. Oops.

espaço pub

já há blogue da relógio d'água, e é uma sorte ainda estar vivo para anunciá-lo depois de ter lido um livro do onetti. fazer posts com os pulsos cortados faz muita chafurdice.

bons dias, queria só dizer que tenho um fraquinho pelo james murphy



adágios de Ruca

na política como no grelo, antes um eurojust do que um eurolarg.

pax banda, julia desenhada

foi gostosa a minha estreia no festival de bd de beja, é bom sair de lisboa para palmilhar outros pavimentos embebidos em bonecada, por falar nisso, há quem jure a pés que também o vital moreira tem voz de roberto, mas isso são contas de outros festivais, aqui e agora dá-se um lamiré sobre as andanças na pax julia, tórrida como é costume, capaz até de fritar o miolo de um blogger que dá por si a pensar que é curioso o linguajar popular que identifica tintins com colhões, abastardando as aventuras do rapazinho belga e sua cadela, aliás, basta bater com os tintins num barrote para se ver lótus azuis, entre outras improbabilidades, I shit you not. A pequena excursão de fim-de-semana foi muito proveitosa, foi possível ouvir o lorenzo mattotti a falar sobre o seu processo criativo, e não é todos os dias que deus está numa cidade alentejana a explicar o genésis, descobrir o talento absurdo do belga denis deprez, conviver com certos e determinados bloggers, comprar uma serigrafia deste moço, pôr finalmente uma cara nestoutro, visitar o prodígio que é o museu regional de beja abrilhantado pelos trabalhos do alex gozblau, tão bons que até metem nojo, dar, portanto, o fim-de-semana por bem empregue. E o leitor, não sente vontade de papar umas migas acompanhadas a tinta-da-china?

repensar o apoio a certas e determinadas causas ou da pertinência do adágio "cuidado com as companhias, carlos jorge"

uma coisa é dar todo o apoio à igualdade no acesso ao casamento civil. outra é ir parar a uma lista na companhia do pepê rapazote.

3 anos, 3 pastores, uma festa e o 4º segredo de fátima é

não misturar cerveja preta com cerveja branca. prejudica seriamente a relação com a mesa de mistura.