o blogger calhau-com-olhos confessa-se

vejo um excerto do novo Oliveira, com o carisma muito "peculiar" do ricardo trêpa à conversa com a menina wallenstein, ao fundo um friso de melómanos assiste a um show de harpa dedilhada, o par em modo arrufo fala sobre leques, sobre caxemiras, o clima supõe-se de sedução e dou por mim a rir à gargalhada. foda-se, que não tenho emenda.

hoje ganhámos dois a zero aos bafana-bafana

para a semana jogamos um amigável com os courato-courato.

mÚSICA & dESIGN


colectivo conde redondo


brincando aos clássicos



doggy style


© rabiscos vieira

Maria Velho da Costa, então, a minha estreia com uma das três mãos que amassou as Cartas Portuguesas, passe a imagem cronenberguiana – adjectivo que até inventei agora depois de pensar no Ricardo Carvalho a lateral direito – que amassou o diabo que é a vida de Myra, personagem-turbilhão amiga da selvajaria em carrossel, em cornucópia da abundância arame farpado, que atravessa o livro todo, todinho. Divido a desdita da russa Myra, que também é Kate, que também é outras, em três partes: Purgatório no arranque, Céu de algodão doce no meio, Inferno no fim, mas até este Céu é de algodão encardido, o açúcar é de safra fatela, assenta no horror velado que há-de estar à vista, imediatamente antes da queda a pique de Myra-Lúcifer e seu cão, a violência bem temperada, a linguagem contemporânea e eu encantado. Os dois viajantes, moça e bicho, só não deambulam pelo Limbo, o Vaticano até já o extinguiu, as crianças por baptizar já lá não dão com os costados, a autora não revela se Myra foi agraciada com o dito sacramento, sabemos sim que se benze à russa, da direita para a esquerda, que lembra as cúpulas douradas da terra natal, que pensa na avó, na dor, na neve, na vida fodida para a porrada, aliviada por um cândido Orlando com pouco optimismo, e percebe-se o porquê. Mas para tal leia-se, mastigue-se, digira-se esta Myra com travo a fel e bortsch e vice-versa. Uma nota que me azedou o paladar – a espaços a russa que notoriamente afiou a vida na sarjeta dá-se ares de filósofa, de ser bem-pensante que a vida em carne viva não deixaria adivinhar. Como na viagem em que Myra arranca do Algarve. E é este detalhe que me faz resumir uma leitura do caralho em duas palavras: Amei. Mas.

amizades imperfeitas # 91

Sandro tedce rasgadas loas aos Seios de Ramón Gómez de La Serna, já Ruca prefere de longe os da Carla Matadinho.

alcunhas e paradoxos

segundo a sic notícias, um homem colombiano que violou a filha durante 30 anos é conhecido como "o monstro de mariquita".

a qualificação


© rabiscos vieira


um apagão de uma hora a partir das 20:30

pode ter sido carlos queiroz a mover os cordelinhos. a ver se não nos deprimimos com certa e determinada primeira parte.

flamenco, flamenguito

o cronista passeia-se e fala que se desunha, o opinion desmaker, o opinador de cá e de lá, do atlântico e tudo, publicado em português dos brasis e no nosso, e hoje palra ao telemóvel, o governo isto, a propaganda da rtp aquilo, a vida está que não se pode, tartamudeemos uma prece em alívio às notórias dificuldades do cronista que isto está pela hora da morte, e vem aí a chave de ouro do homem, "este país está cada vez mais aciganado", esta sim é de escriba que passou a integrar os quadros de certo e determinado tablóide outrora famoso pelas páginas centrais da revista de domingo, mas nessa época éramos lavadinhos, muito menos aciganados, e eu até concordo com o cronista em fúria blaseé, aciganamo-nos, pois, eu só rezo para que quando o processo estiver a todo o vapor não me ponham no mesmo contentor do cronista. detestaria passar os dias com um olho no burro e outro no cigano.

a minha pátria é a língua portuguesa. e não só

"Playboy" portuguesa à venda no sábado.





arrastão goes musical tomo 1




sagrado e sabido, sou moço de andar ao ralenti, cada um é para o que nasce e daí os meus problemas com os amanhãs que cantam, sobretudo porque estou sempre em dívida com o ontem e com o dia anterior, entre outros e por aí fora. Como tal já lá vai um ror de meses desde que saiu o disco dos Beach House e eu não tinha dado por ele, e nada melhor do que deixar chegar a primavera, o sol, os freaks, os cães, os guizos, os malabares, os diablos, as cervejas à litrada, as enchentes no miradouro do adamastor, pulga, mosca e festa com aromas marroquinos para começar a desfrutar em contra-ciclo de uma dúzia de canções etéreas e favoráveis à neblina e ao cortar de pulsos, que lindo é ver a hemoglobina salpicada no ipod e tal. 
Acresce que o disco está embebido em orgão mágico, instrumento da minha preferência, tão intenso como nos discos do Leonel Nunes, maduro que inclui em todos os cachets um garrafão de vinho, devorando-o em palco e ao vivo e a cores, dizia, o órgão mágico, um tudo-nada mais etéreo do que no opus "Cantar, Pular e Dançar" do dito Leonel, ainda assim capaz de dar corpo a canções de fino recorte, o amor como tema recorrente, que é como quem diz a condição humana, expressão que julgo ser obrigatório utilizar em qualquer referência a disco/filme/livro, os Beach House falam em passado, amores perdidos, o Leonel põe toda a epistemologia nos títulos, Porque não tem talo o nabo, entre outros clássicos, são gostos, aqui deixo o single Gila dos meninos de Baltimore, diz que não acompanha tão bem uma sandes de courato, enfim, fica ao vosso critério.

em stereo



the historian, uma desilusão

andei semanas a ler um tijolo de muitas e muitas páginas, sobre um mal perene que assombra a europa há demasiado tempo, que recruta incautos para o seu seio sugando-lhes a vitalidade e deixando-os ao abandono pouco depois, que usa recursos em seu benefício, que salta de poiso em poiso sem deixar rasto das suas patifarias de dente aguçado. convencido de que lia a autobiografia de dias loureiro foi com algum estupor que dei com o nome de elizabeth kostova na autoria.

economistas imperfeitos

o sonho de Ruca era encontrar uma febra com um ponto G8. ou 20, até.

da série gostar de bifes



lisboa em baixa resolução # 204


a vista, turva, o wishful, thinking.


my own private membro do conselho de estado # 2

tive um sonho molhado em que o provedor de justiça era o octávio machado.

24 de março


© rabiscos vieira

buon cumpleanno signore Fo


mÚSICA & dESIGN


busto de napoleão. entre outros.


o sintetizar da folha de coca não faz de nós bons cidadãos ecológicos, filha

a cidadã portuguesa detida esta semana no Aeroporto Internacional Alfonso Bonilla Aragón em Cali, Colômbia, por transportar droga, foi candidata à presidência da Câmara Municipal de Mondim de Basto pelo Movimento Partido da Terra, em 2001.

Público, 22/03




my own private membro do conselho de estado

quando desço o conde redondo à noite encontro sempre imensos provedores de postiças.

inéditos vieira


© rabiscos vieira

este rabisco deveria preparar-se para estar pendurado numa exposição dedicada ao darwin, no âmbito das X Jornadas de Biologia Aplicada organizadas pela Universidade do Minho, mas eu derrapei no prazo de entrega e nas cercanias do bom jesus não há contemplações, catolicismo é perdão mas nem sempre, dar a outra face e o caralho isso é que era bom. a face não o... bom, percebe-se a ideia, sou o elo mais fraco, adeus, fica o inédito para os meus 12 leitores. definitivamente tenho um engulho com a ciência, entre outros. aliás, só não tenho engulho no nome porque quando o meu paizinho me foi registar não era possível plasmar pessimismo na graça dos meninos que brotavam. era o verão revolucionário de 75, pois claro.

uma malha contra a alienação do homem pelo homem e pelo trabalho e calendário e tudo, fingindo que hoje é 2ª feira, sendo que a minha foi no sábado




do verdadeiro sentido das proporções ou de quando alguém teima em passar por grande filósofo da actualidade

quero que o meu filho morra se aquilo foi penalty

pedro silva, 21/03

poder magiar


ninguém pára o meu bairro, ôôô êêê ôôô


amizades imperfeitas # 90

Sandro é fã de kant e da fundamentação da metafísica dos costumes, já Ruca prefere descartes e o seu discurso do meto-o.

duas notas sobre comboios, descontos e uniões de facto

o josef fritzl não é elegível para uma união de facto à portuguesa. a cp vive na twilight zone mas está convencida que ainda não passou da azambuja.

mais detalhes aqui

21 de março



hoje é dia mundial da poesia

num país de partos difíceis

é tão difícil nomear um provedor de justiça como encontrar a maddie mccann.

e mais











o disco do colectivo n.a.s.a. traz outros petiscos, gulosos como os da conserveira de lisboa ali à rua dos bacalhoeiros, senão vejamos, o rapper kool keith a fazer duetos de mão dada com o inclassificável tom waits, deve ser da primavera, que lindos pombinhos com um instrumental bem lapidado a ampará-los, assim dá gosto, as árvores, o equinosso ou lá o que é, tudo, flores e sementes, vem aí a época do put da cream. sinto-o.

e o povo, pá?



enviado por email devidamente identificado



com a nova lei das armas a idade legal para posse das mesmas baixa para 16 anos

e no entanto acho esquisito que um gajo tenha de apanhar o autocarro para ir dar um balázio a alguém, só porque não tem idade para ter a carta de condução.

encontrar alternativas


© rabiscos vieira

há uns anos o meu pai saiu para um lugar onde os meus presentes não chegam. como tal busco alternativas e descubro que o philip roth está hoje de parabéns, setenta e tal anos, o que ele cresceu, desgraçadamente nasceu no mesmo dia que albert speer e adolf eichmann, um mal nunca vem só, um nazi também não, e assim, em outubro, quando metade da blogolândia estiver a lamentar mais uma derrota do melhor retratista vivo de velhos rebarbados em favor de um desconhecido da renânia do norte-vestefália que terá publicado dois ou três romances com mais ódio nas veias e letras do que o mário machado (ver speer e eichmann), poderei dizer que o meu post de 2009 dedicado ao mais injustiçado dos escritores já está nos idos, digo, nos arquivos de março. há qualquer coisa de mickey rourke neste gajo, há, há.

gostar de pretos que se chamam neptunes, que se chamam n.e.r.d., que convidam o ?uestlove dos roots para a tarola e que transpiram estilo comó catano



definitivamente continuam com ele atravessado

© rabiscos vieira



Ruca sabe por que é que o papa desaconselha o preservativo

é que ir ao cu dos orfãos agraciados pela caridade iria ficar muito parecido com comer um rebuçado sem lhe tirar o plástico, foda-se.

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hoje lança-se, na casa fernando pessoa, sítio de cultura e recreio cada vez mais concorrido. mais até do que o lupanar coche real à venda nova, parece-me. contaram-me. eu não vou pode estar, o bom ambiente é garantido.


se cobrasses um par de euros sempre podias ir fazendo um pé-de-meia para comprar um prontuário

brox gratis

96261...


wc de centro comercial devidamente identificado

ronda das tascas, posta 1


o gaiteiro mestre roque

muitos anos depois, diante do pelotão de putedo alapado na rua joão das regras, o reservista pedro vieira haveria de lembrar-se daquela tarde remota em que o pai o levou a ver o benfica-porto ao hoje demolido estádio da luz, 1 a 1 resultado final, golo do jaime magalhães, o outro que se foda. nesse dia haveria de beber o sumol a empurrar o courato aos gorgolões e ainda um dedal da imperial alheia, só para provar e ganhar-lhe o hábito, que faz o monstro. hoje, regozija-se por escrever sobre si (mim) na terceira pessoa, na escola de mário jardel, miguel veloso e dos plurais majestáticos, enquanto relato(ata), uma fatia da ronda das tascas à mouraria, iniciativa organizada por um bando de maduros, que é como se quer a uva, também mijona, se falamos de preços. os da mouraria não assustam, o povo junta-se, a ronda inicia-se numa espécie de corredor esconso que há-de levar aos amigos da severa, propriedade do senhor antónio, que usa expressões como "diz a lenda" ou "reza a história" quando se refere à senhora da má vida com a voz tisnada pela má vida e pelos bloggers medíocres que se repetem no discurso. ginja barata, tinto ainda mais, traçadinho a meio éro, copo com risca, começa a folia dos gaiteiros e dos copos tintilantes e eu vou vendo a toponímia laudatória, a casa do lado onde terá vivido a dita fadista, ícone de lisboa, quiçá da mouraria, a casa quase defronte onde nasceu fernando maurício, o rei sem coroa, rezpect, bling blings, props pró nando, e na casa imediatamente ao lado dessa um videoclube indiano onde a palavra copyright não entra, e ainda a tv que debita ao fundo uma espécie de coreografia do fame mas sem ninguém tão saloio como o Leroy, mas com bigodes que lembram o PREC com lantejoulas. estava cumprida a primeira etapa. ao fundo uma moradora berrava anda pacheco, era o que dizia a hermínia silva. clássico mas previsível.



as notícias sobre a morte do ensaísta são manifestamente exageradas

hoje pediram-me a eterna saudade de eduardo lourenço.

no dia em que nasce Camilo, assinalá-lo

© rabiscos vieira

Calisto Elói, enternecido até às lágrimas pela sorte da terra de D. João I, voltou-se para a esposa, e disse, como o agricultor Cincinato:
– Aceito o jugo! Assaz receio, mulher, que os nossos campos sejam mal cultivados este ano...
Estavam próximas as eleições.



in A Queda dum Anjo, bibliografia muito recomendada num ano de sufrágio triplo

mÚSICA & dESIGN


como um professor doutor de coimbra, meu deus!


eu não dava um nome destes a uma feira, eu não fazia uma feira com este nome neste sítio

no concurso mundial de azeites biológicos, realizado em fevereiro, na feira biofach, na cidade alemã de nuremberga, o júri do concurso escolheu por unanimidade o azeite Risca Grande

Público, 13/03

cartaxinho, o político

andava há dias para escrever esta crónica e fui adiando a desdita, tal foi o enjoo de salazarismo bafiento - adoro redundâncias - a que tenho sido sujeito, desde a situação que dá corpo à dita (crónica) passando pela invasão de bibliografia com traça que vai ocorrendo no meu poiso de trabalho, o cerejeira fotobiografado, mais a autobiografia do senhor cardeal que também vai ao casino emborcar copos antes de se espalhar na roleta dos conceitos, cabrões desses anormais desses gays e o caralho que se enfardam uns aos outros e ainda querem filar o dente nas nossas criancinhas adoptáveis, para abusos à bruta mais vale ficarem onde estão, nos colégios de cruz em riste e derivados, pensa o prelado, digo-o eu, e ainda o bonito álbum dos patriarcas de lisboa, mais "os últimos meses de salazar", há quem jure a pés juntos que foram demasiados, enfim, um vê-se-te-avias. sucede que há dias, no cartaxinho, estabelecimento de griffe e tremoço gelado, ouvia palrar três maduros acerca do cabrão do mário soares que entregou tudo aos pretos, e eles agora que não venham para cá, ficaram com os camiões do meu (dele) paizinho, esses pretos, esses chupistas, mais os brasileiros que ainda vêm para cá para dizer mal de portugal, o pantanal que os pariu, todos mandados de volta e depressa, e o crime que não existia quando o professor doutor de coimbra, meu deus! cá mandava, e daí escorrega-se para a liberdade e seus demónios, para as actualidades de caserna, para os assuntos arco-íris, se os gajos querem fazer o amor em casa deles, nada contra, agora casar? já chegámos à somália, o sócrates pá...... reticências, bastas, já chegámos à somália, ou aos israelitas e a esses países?, o filho dilecto da pátria em ademanes de geopolítico, um mimo, e depois vem à baila o futebol na conversa destes patriotas, o Hulk mete um medo do caralho, ui, e os horários dos jogos para a taça que são uma vergonha, e vem mais um uísque para rachar por dois, e falta de tesão que também mata (sic), e quem matou o meu pai foi a puta do 25 de abril (sic), aquele, o dos camiões, uma desgraça para a nação, aliás, nesse momento o trofense ganhava em casa do guimarães, berço da lusitanidade, com golo do charles souza, preto e brasileiro, um mal nunca vem só, então pedi a conta e saí, já estava um pouco enjoado da ladainha, mais um ou dois minutos e ainda gomitava, assim mesmo, com g, a entremeada no uísque dos senhores, e diz que o porco não vai nada bem com o malte. diz que não.

cinéfilos imperfeitos

o sonho de Ruca é bradar Marisa? Tomei.

em contrapartida o 12 de março trouxe à liça notícias melhores, nascimentos felizes


© rabiscos vieira

Os telhados de Berkeley pareciam lamentável carne viva a abrigar dolorosos fantasmas da eternidade dos céus que receavam enfrentar. Quando me fui deitar não me possuiu nenhuma Princesa, nem nenhum desejo por nenhuma Princesa, nem a desaprovação de ninguém, e senti-me contente e dormi bem.


jack kerouac in os vagabundos da verdade, editorial minerva, 1984, tradução de fernanda pinto rodrigues

bird

© rabiscos vieira

foi num 12 de março que desapareceu charlie parker, preto mito do jazz, revolucionário das harmonias, esponja em geral. de adições, sentimentos, sopros, escalas. morreu aos 34 anos, com o corpo consumido pelo álcool, pelas drogas, pela vida fodida para a porrada. diz a lenda que no momento em que a consciência lhe sussurrou ao ouvido o adágio mens sana in corpore sano parker estava a esgalhar um solo no sax alto, o que, como se sabe, abafa qualquer sussurro, mesmo que embebido em boas intenções.

e agora, música



força total à cultura nacional


um apelo do meu querido mestre nuno saraiva


correntes d'escritas

quinta frase completa, página 161, pede-me ele. arruinaste-me um bocado a leitura, pazinho, até porque a página 161 é a última do livro que ando a mastigar à tripa-forra, o dia mastroianni, título de ressonância vagamente onanista que eu não rejeito, mais uma página e era atirado para escanteio, como dizem os nossos bródas do pedaço, ia parar a uma página em branco, ou a um chorrilho de agradecimentos, mas em sendo a 161 então aqui vai:

E as pegadas, passos e páginas por trás de si.

agora fogo à peça pelas mãos do sérgio, do azeite, do josé, do joão, da catarina. o Cuenca agradece.

somos o esquecimento que seremos

enquanto escrevia a sua obra-prima hector abad faciolince não tirava da cabeça a carreira de miguel veloso.

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esta tarde, entre as 15:30 e as 15:50, mais coisa menos coisa, vou estar no rádio clube via telefone (é confuso mas é verdade) com um camarada blogger do país relativo a falar sobre coisas e deputados. se temeis pelas vossas vidas não sintonizeis 104.3 em lisboa, 90.0 no porto, 92.9 em braga, and so on, and so on.
ou então até já, vá.

my own private dia internacional da mulher









este post é dedicado ao paulo, um indivíduo que claramente gosta muito de rock. de rock.

acabo de ler "a vida breve" do onetti mas só agora entendi o que é a desmultiplicação da personalidade

andam a perseguir o Miguel Veloso. Quem? Por exemplo, a campanha feita por parte do jornal Record, que não pára de falar de mim. Se o Miguel Veloso é tão pequenino porque é que não param de falar de mim?

a 10 de março nasceu boris vian, para gozo de muitos, para fortuna de todos

© rabiscos vieira

- Qual é a sua ocupação? - perguntou o professor.
- Aprendo coisas - disse Colin - e amo a Chloé.
- O seu trabalho não lhe rende nada? - perguntou o professor.
- Não - disse Colin - Não trabalho no sentido em que as pessoas o entendem.


in A Espuma dos Dias, edições Frenesi, 1997, tradução de Aníbal fernandes

mÚSICA & dESIGN


conselhos úteis


quem diabo é rogério casanova?




esta é a fotografia de um encontro que gravitou em volta do R. C., convida-se um indivíduo deste calibre para uma mesa com mais gente do que a última ceia e depois dá nisto, nem uma palavra trocada, eu nem sequer me ensaiei, refugiei-me no extremo interior da mesa não fosse o Rogério interpelar-me acerca do poder do solilóquio, ou de certas e determinadas demonstrações não-programáticas, ou até do plantel do sporting em mil nove e oitenta e três, o tipo percebe imenso destes meandros e eu moita, no meu cantinho, a falar do que se costuma falar nestes encontros enquanto lhe controlava os movimentos pelo canto do olho. kung-fu nos alpes, gajas, o correio da manhã, gajas, o joão pereira coutinho, gajas, a falta de espaço na casa dos críticos, gajas, e o tipo sem tirar os olhos da costeleta de novilho, já me tinham dito que o indivíduo era tímido mas não exageremos. talvez estivesse a pensar no sentido que faz partilhar a mesa com alguma gente bruta, que ignora o encanto das flat racings mas que sua as estopinhas para alcançar o último pastel de bacalhau da mesa, e eu compreendo, suo, como, e não me atrevo da olhá-lo de frente, quem sabe não gostou do retrato que lhe fiz, não arrisco um cruzar de íris para não o enervar, é menino para saber como se dá uma chinada à miratejo, um rotativo à fogueteiro e eu tenho a cremalheira frágil e os ossos periclitantes, ainda mais do que a minha bagagem literária. na altura do café destapa-se-lhe uma careca idiossincrática, o senhor doutor gosta de garoto, que mariquice, e eu, rijo e macho, aceno-lhe lá do fundo com o meu café espresso, após o que o engulo de um trago e enfio a viola no saco, não vá o gajo atirar-me com uma farpa à james wood. ou com a chávena meio-cheia, a ameaçar a nódoa e por via indirecta as minhas fuças conjugais. se tenho aparecido em casa com a camisa malhada, ai o chilique que dava à minha santinha, ai, ai.

de liverpool à amadora ou da eterna luta beatles vs stones



gosto mais dos macacos do que dos buraka. via spectrum.

a noite e o riso, o caralho

um gajo está uma hora com os olhos vidrados na paula moura pinheiro e acaba por sonhar com o nuno bragança.

olaias

quando olho para os prédios do taveira também eu tenho vontade de disparar.

todos o têm na boca

acabo de ver o rui costa a comemorar o segundo golo do benfica e suspeito que ele seja do mesmo partido do deputado josé eduardo martins.

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© rabiscos vieira

está aí a Ler de Março e eu com ela. os rabiscos dos meses anteriores já estão arquivados no sítio do costume.

luis vaz de camarinha

Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura
Vai fermosa, e não segura
Esqueceu-se de put the cream.

sufrágio universalho

ao ouvir um deputado mandar o outro para o caralho chegámos à primeira ocasião da legislatura em que o povo se terá sentido representado.

da necessidade de uma cartilha maternal

© rabiscos vieira



a carga pronta e metida no nelo alegre

© rabiscos vieira

em caso de dúvida conferir aqui


nem todo o cânone é do agrado do harold bloom



delta romeo

por estes dias, o meu (nosso, de todos) shopping está trajado a rigor de vermelhos e rubros arraçados, com o café do comendador nabeiro a oferecer um alfa romeo a quem tiver a fortuna de meter o papelinho certo na tômbola, portanto, um papel por cada compra delta, uma hipótese em doze mil e quinhentas e dezassete e meia de empochar um carro daquela marca que nos faz feliz durante dois dias, aquele em que compramos o bólide e aqueloutro em que o vendemos, veja-se a fama destes desportivos, e a efeméride arrebita as massas, à hora a que trinco o almoço com a linha do horizonte pouco mais alta do que o tabuleiro - sou um gajo encavacado p'ra caralho - surge uma turba que cerca a menina das promoções, ela oferece bicas como quem usa um tester dos perfumes e companhia e a turba ulula, sejam quais forem os seus componentes, a saber: os reformados, que dão ares de entendidos, debicam o café com o sobrolho retorcido, opinam, perguntam pela máquina e manjam o rebolado modesto da morena esquálida, vestida de casaco que não aperta de forma a trazer os manípulos à vista de todos, apertadinhos contra a t-shirt coliante, e vêm também os executivos com idade para serem meus afilhados, vá, em mangas de camisa e fuças de prosápia que nem sequer dá tréguas na altura do desjejum, também ufanos, também observadores, menos persistentes do que os piores inimigos da caixa nacional de pensões, e há também os estudantes que bebem à pala e bazam, sem makas, e o vaivém de estafeta, foda-se, muita gente entrega e levanta coisas no meu (nosso, de todos) shopping, não têm tempo para parar, trazem o capacete enfiado no antebraço musculado devidamente coberto de blusão feroz e en passant lançam o olhar se-fosses-um-chocolate-lambia-te-até-à-prata à menina-promotora, estes moços quando aviam o gasóil da mota também devem molhar o bico na agulheta da testosterona, quem me dera ter este arcaboiço rijo e macho, com muito pêlo, nenhuma febra me escapava, nem sequer aquela loira platinada que já substituiu a morena, ainda mais blush, manípulos mais generosos, o reformado dos bigodes volta para a segunda ronda, ai a máquina, ai a bica, como quem chega pela primeira vez, e eu volto ao trabalho com pena, a ensaiar poses de motard que leva e traz pacotes, para a próxima também eu vou à cata da amostra, todo guloso, confiando que a minha dama não me anda a vasculhar o blogue nem as intenções. and yet...

economista do shopping

o talão do vitaminas e companhia é o meu diário económico.

europeísmo head and shoulders

uma coisa é certa, o vital moreira tem o cabelo muito bem tratado.

o estado da nação numa porta de wc

"matem todos os pretos e brasileiros"


"o sócrates é gay"

"rei do broche 5 estrelas
21 813......"




mÚSICA & dESIGN


o tamanho importa


e se algum quer fazer logo marmelada, então só à estalada, ai então só à estalada

Carolina Salgado agredida à saída do Tribunal de Vila Nova de Gaia

beautiful freak

fui ver o the wrestler e lembrei-me do drulovic.

o que é bom num blogue sem livro de estilo é poder criar uma secção de classificados

vendo um ipod de 30 gigas por 100 euros. tem dois anos e está cheiinho de boa música, coisas duvidosas e outras de bradar aos céus. o modelo é este. obedecendo às leis do capitalismo selvagem este ipod ainda relativamente jovem foi substituído por uma criança-prodígio estagiária com quatro vezes mais memória. ajude a combater esta reforma antecipada, envie-me um email ou isso.

Caribou ou da electricidade necessária para iluminar um congresso em espinho



o agarrado existencialista

estava sempre a ser recambiado para o Sartriarche.

sentido das proporções

falando para um país que acaba de assassinar o seu presidente o professor cavaco acaba de pedir que se mantenha a ordem constitucional. lá, nesse país.

espaço pub


© rabiscos vieira

Casanova entrevistado por Pedro Mexia e retratado por este vosso criado. tudo a um clique de distância.

my own private sashimi


© rabiscos vieira

este livro de peter carey é um docinho, um mimo com a travo a sopa de miso, a manga, não confundir com a fruta, um pequeno tratado sobre a incompreensão neste mundo alegadamente globalizado, uniforme. diga-se que bill murray já tinha desbravado este caminho, sem o o jet lag em forma de scarlett johansson - uma boa forma - seria mais difícil degustar este acepipe do australiano, duas vezes booker, e então? enfia-se a faca nas memórias da segunda guerra, tenta-se bater uma radiografia a um povo que já soube o que é despir a parte de cima e suster a respiração por entre o bombshell. é sobre o japão mas coma-se sem pauzinhos, à ganância, com o sumo das cento e tal páginas a escorrer pelos queixos, dane-se a sofisticação. é das poucas coisas que sei fazer, é o que aconselho.

mais gerador, menos gerador, hoje encerra-se, hoje aclama-se

© rabiscos vieira